Presidente Donald Trump - AFP
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Publicado 06/12/2017 19:58 | Atualizado 07/12/2017 00:35

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu ontem Jerusalém como capital de Israel. A decisão histórica contraria sete décadas de diplomacia americana e ameaça desencadear uma escalada de violência no Oriente Médio.

"É hora de reconhecer oficialmente Jerusalém como a capital de Israel", declarou o líder americano da Casa Branca, considerando este passo como "condição necessária para conseguir a paz".

Trump também determinou a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a disputada cidade, o que não tem data para ocorrer. Jerusalém abriga lugares sagrados das três grandes religiões monoteístas e é igualmente reivindicada por israelenses e palestinos.

Para Mahmud Abbas, presidente palestino, os EUA perderam seu papel histórico de mediador da paz.

O Hamas, movimento islamita palestino que controla a Faixa de Gaza, declarou que a decisão de Trump "abriu as portas do inferno".

O reconhecimento da capital foi uma promessa de campanha à Presidência, apoiada por cristãos evangélicos e por judeus de direita, em cumprimento a uma lei de 1995.

Os sucessivos presidentes americanos, de Bill Clinton a George Bush, adiaram a cada seis meses a mudança por motivos de "segurança nacional". "Muitos presidentes disseram que fariam algo e não fizeram nada", indicou Trump, em pronunciamento.

O líder americano afirmou ainda que a medida reflete o fato de que Jerusalém Ocidental continuará sendo parte de Israel sob qualquer acordo e que os EUA não estão se pronunciando sobre qualquer "problema de status final, incluídas as fronteiras impugnadas".

Ele também anunciou uma viagem do vice-presidente Mike Pence à região nos próximos dias.

REAÇÕES

Líderes da Arábia Saudita, do Egito, da Jordânia, da União Europeia, da França, da Alemanha e da Turquia haviam advertido Trump contra a medida.

"Não pude calar minha profunda preocupação", disse o Papa Francisco.

A Turquia qualificou a decisão de "irresponsável" e ilegal, enquanto a Jordânia disse que era "uma violação do Direito Internacional". Os dois países convocaram reuniões de emergência. A ONU fará o mesmo amanhã.

Centenas de palestinos queimaram bandeiras americanas e israelenses e fotos de Trump na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, confrontos já começaram. Foram convocados três dias de protestos "de fúria".

O lado oriental de Jerusalém foi tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O país reivindicou os dois lados da cidade como sua capital. Já os palestinos querem que o local seja a capital do futuro Estado que aspiram.

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