Fabrício Carpinejar e MV Bill na Feira LiteráriaAscom
O público pôde acompanhar as trocas de ideias e reflexões entre esses dois grandes nomes da cultura brasileira, com trajetórias distintas, mas unidas por um fio em comum: a educação como ato de resistência e liberdade.
Acompanhe os melhores momentos:
Fabrício Carpinejar — Alfabetização com amor
“Tem pessoas que aprendem de maneira mais lúdica, outras de maneira mais lógica. É preciso tranquilidade para estudar. Ninguém aprende em estado de pânico. Diagnóstico não é destino”, refletiu o poeta, emocionando o público.
MV Bill — Música como salvação na favela
“Parei na quarta série do primeiro grau. Minha mãe sonhava com uma carteira assinada pra mim, isso era sinal de segurança na época. Mas eu gostava da cultura hip hop e do rap. Ao me aprofundar nas letras, descobri que o rap exigia mais do que rimas simples — exigia pensamento crítico; foi aí que comecei a ler livros, aprender como autodidata e escrever poesias”, esclareceu.
Fabrício Carpinejar — Os livros e a solidão
Na infância marcada pelo bullying, ele se refugiava na biblioteca.
“Eu me sentia um livro que ninguém lia”, confessou.
Foi nos livros que encontrou força.
“O livro é um amigo que te ensina a suportar a solidão. Quem lê por 2 horas vai falar melhor, vai escutar melhor. Só tem memória quem apanha. Os livros são escritos por quem sofreu”, concluiu.
MV Bill — Investimentos em Educação
Reforçando a urgência do debate sobre educação, MV Bill falou sobre a responsabilidade do poder público:
“Sem estudo, não conseguimos nem entrar no mercado formal. Por isso defendo educação como porta de entrada. Quero que as pessoas sejam as próprias gestoras de suas vidas”, refletiu.
Encontro de mundos, comunhão de ideias
O diálogo entre Carpinejar e MV Bill revelou que, apesar das origens distintas, ambos encontraram na palavra — falada, cantada ou escrita — um caminho de transformação. Enquanto um lapida versos sobre afetos e memórias, o outro rima verdades e dúvidas sobre desigualdade e resistência. E ambos, de maneira única, colocaram a educação como eixo central da mudança social.
Ao final do encontro, a secretária de Educação de Araruama, Valéria Amaral, destacou a importância de proporcionar esse tipo de vivência à população:
“Trazer grandes nomes da cultura brasileira para Araruama é oferecer, não apenas entretenimento, mas inspiração. Esses encontros ampliam o olhar das nossas crianças, jovens e adultos, mostrando que o conhecimento pode mudar destinos”, ressaltou.






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