'Não estou com medo. Divulguem tudo de uma vez', diz Moro sobre vazamentos

Ministro da Justiça e Segurança Pública se defendeu acusando a estratégia de divulgação do site The Intercept Brasil, em sessão na CCJ do Senado

Por O Dia

Ministro Sergio Moro em sessão na CCJ do Senado, sobre os vazamentos de suas conversas com procuradores da Lava Jato
Ministro Sergio Moro em sessão na CCJ do Senado, sobre os vazamentos de suas conversas com procuradores da Lava Jato -
Brasília - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse "não estar com medo" e desafiou o site The Intercept Brasil a "divulgar todas as conversas de uma vez". "Não estou com medo. Divulguem tudo de uma vez", afirmou, em sessão na CCJ do Senado nesta quarta-feira. 
Moro questionou diversas vezes o motivo dos jornalistas do site não levaram os documentos até as autoridades, de uma vez só. O senador Jacques Wagner (PT-BA) o rebateu: "O ministro sempre declarou que, para o sucesso da operação (Lava Jato), era necessário o apoio da imprensa e da opinião pública. Eu posso dizer que o jornalista está trabalhando com o mesmo elemento que vossa excelência", afirmou. Em seguida, questionou o ministro se houve sensacionalismo na divulgação dos áudios entre os ex-presidentes Lula e Dilma.
Moro voltou a se defender, mas reconheceu que pode ter havido sensacionalismo na divulgação dos áudios: "Nós fazíamos isso de maneira transparente, e todas as informações ficavam disponíveis. Nós não ficávamos divulgando em pílulas, aqueles fatos. Nós colocávamos eles por inteiro. Aquela decisão, envolvendo aquele áudio (entre Dilma e Lula), tudo bem, pode ser, pode haver divergência. Mas foi uma decisão proferida nos autos", reconheceu.
Pelo Twitter, o jornalista americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, também rebateu o ministro: "Não há um só país no mundo democrático em que os jornalistas "entreguem" seu material jornalístico à polícia ou aos tribunais para inspeção antes de publicar, como Moro exige. Como juiz, ele deveria entender que uma imprensa livre está explicitamente protegida na Constituição".

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