Francischini diz que não vai mais pautar convite a Moro: 'Pela minha sanidade mental'

Presidente da CCJ reclamou de 'agressões' a Moro e disse que não vai mais pautar convites para ministro prestar esclarecimentos sobre vazamentos de suas conversas com procuradores da Lava Jato

Por O Dia

Presidente da CCJ da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR)
Presidente da CCJ da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR) -
Brasília - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), afirmou nesta quarta-feira que não irá pautar novos convites para que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, preste esclarecimentos sobre os vazamentos de conversas com procuradores da Lava Jato. 
“Eu não vou pautar, no que depender de mim, convite mais. Eu não quero, pela minha sanidade mental, fazer outra reunião com Sérgio Moro sobre o mesmo assunto, porque já não vai levar a nada”, disse Francischini. “As mesmas perguntas sendo repetidas, um monte de agressão ao ministro, os deputados se agredindo dos dois lados. Então, para minha sanidade mental, não vou pautar mais isso. E convocação acho que não cabe”, completou.
Nesta terça-feira, Moro compareceu à reunião conjunta da CCJ; da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e conversou com deputados por mais de sete horas. Deputados da oposição reclamaram que não tiveram suas perguntas respondidas, e alguns acusaram Francischini de parcialidade na condução da audiência. Já os deputados da base aliada ao governo aproveitaram a oportunidade para elogiar o ministro. 
Os parlamentares começaram a se desentender antes mesmo do início da audiência, e a reunião foi encerrada após uma confusão protagonizada pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que disse a Moro: "O senhor vai estar nos livros de história como um juiz que se corrompeu, como um juiz ladrão. A população brasileira não vai aceitar como fato consumado um juiz ladrão e corrompido que ganhou recompensa para fazer com que a democracia brasileira fosse atingida". Após a fala, o ministro se retirou da sala. 
Mais cedo, o presidente da CCJ chegou a afirmar que a audiência "parecia a Escolinha do Professor Raimundo", em meio a discussões entre os parlamentares.
O deputado José Guimarães (PT-CE) discordou da decisão tomada por Francischini nesta quarta-feira. “Eu ouvi aqui ontem cada palavrão contra a presidente Dilma, contra o PT, e agora Vossas Excelências vem aqui se fazer de vítimas?”. Ele acrescentou também que, na audiência desta terça-feira, 80% dos deputados inscritos não falaram.
* Com informações da Agência Câmara Notícias

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