Diplomacia sem armas é como música sem instrumentos, diz Eduardo Bolsonaro

Indicado para a embaixada dos EUA, o filho do presidente deu declaração polêmica, comparando diplomatas a soldados

Por O Dia

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Brasília - Indicado para a embaixada dos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro deu uma declaração polêmica ontem ao falar sobre a relação entre diplomacia e a segurança pública na abertura do seminário “Desafios à Defesa Nacional e o papel das Forças Armadas”, na Câmara. “Diplomacia sem armas é como música sem instrumentos”, disse, atribuindo a citação a Frederico II, rei da Prússia no século 18. Nos próximos dias, o presidente Jair Bolsonaro deve indicar oficialmente o filho para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Eduardo ainda disse que um país pacífico não é aquele que não tem armas. E que o discurso do desarmamento tem como pano de fundo interesses sombrios de quem não tem projeto para a nação. “Diplomacia e Defesa são faces da mesma moeda. Instrumentos de exercício da soberania nacional e da garantia da autonomia em nosso relacionamento externo”, disse, para uma plateia composta por deputados e militares.

Eduardo Bolsonaro também afirmou que os dois setores querem caminhar juntos em um projeto de soberania nacional. “Tanto para o diplomata quanto para o soldado, o cenário com que se defrontam é imprevisível e instável. As ameaças são difusas e invisíveis”.
DECLARAÇÃO GERA POLÊMICA
O posicionamento de Eduardo repercutiu no meio político e entre especialistas. “A frase reflete essa visão agressiva e a falta de conhecimento que ele tem da diplomacia moderna. É uma visão extremamente ultrapassada. Vai na contramão de toda a tradição de política externa brasileira”, criticou o sociólogo Ignácio Cano.

O assunto repercutiu nas redes sociais. “Eduardo Bolsonaro foi reprovado no primeiro teste de diplomacia como negociador. Bolsonaro insiste que seu próprio filho é mais capacitado. Vamos esperar o teste do hambúrguer”, ironizou o deputado David Miranda (PSOL), em postagem no seu perfil no Twitter.
OS DESDOBRAMENTOS DA INDICAÇÃO
Projeto na Câmara
Um projeto de lei que barra a indicação de parente para o cargo de embaixador foi aprovado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário.
Maia veta
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, disse ontem que não colocará a proposta em votação. “Se o projeto do nepotismo passar, ele não será misturado nem acelerado porque o presidente vai encaminhar o nome do filho a uma indicação da embaixada”.
STF nega pedido
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou ontem o pedido do partido Cidadania (antigo PPS) para proibição da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada.
Apoio de Trump
Na sexta-feira, o governo norte-americano formalizou o aval para o cargo. No fim de julho, o próprio presidente Donald Trump já tinha elogiado Eduardo. “Eu o considero extraordinário. Um jovem brilhante, incrível”, disse Trump.
Próximos passos
Eduardo Bolsonaro precisa ainda passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ter o nome aprovado no plenário. Ontem, ele foi ao Senado em busca de apoio de parlamentares.
Palavra de ministro
Durante o evento de ontem das Forças Armadas, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, repercutiu a indicação de Eduardo para a embaixada brasileira em Washington. “É uma deferência do presidente da República indicar”, analisou o ministro.
*colaborou a estagiária Juliana Mentzingen sob supervisão de Herculano Barreto Fillho
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