Empregados da Ansa/Petrobras aceitam demissões em massa após acordo

Estatal aceitou oferecer um pacote de benefícios para evitar uma nova greve da categoria. FUP afirmou que decisão ocorreu não pela negociação, mas sim através da ameaça

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), do Paraná, em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, durante a greve dos petroleiros
Trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), do Paraná, em frente à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, durante a greve dos petroleiros -
Brasília - Os trabalhadores da Araucária Nitrogenados (Ansa), subsidiária da Petrobras, aprovaram em assembleia nesta quarta-feira, por maioria, aceitar o fechamento da unidade localizada no Paraná, depois que a estatal aceitou oferecer um pacote de benefícios para evitar uma nova greve da categoria em acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Os benefícios foram acordados com o TST após a categoria realizar uma paralisação de 1º a 17 de fevereiro, o que obrigou a companhia a contratar terceirizados e manter equipes de contingência por 24 horas em algumas unidades. Segundo o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, mesmo com a greve não houve queda na produção de petróleo.

Com a decisão dos petroleiros, a Ansa será fechada e 396 trabalhadores serão demitidos e receberão benefícios além dos garantidos por lei.

O fechamento da Ansa faz parte do plano da Petrobras de abandonar o setor de fertilizantes, focando na exploração e produção de petróleo em águas profundas do pré-sal, conforme opção da atual gestão.

Para os que concordarem com a quitação total do contrato de trabalho será pago 40% da remuneração por ano trabalhado, com garantia de valor mínimo de R$ 110 mil e máximo de R$ 490 mil, entre outras vantagens. Para os que não incluírem a quitação total na rescisão, o benefício se limita ao pagamento de R$ 80 mil a R$ 210 mil. Todos terão direito à manutenção do plano de saúde por dois anos, cursos de aperfeiçoamento profissional visando realocação, assistência social e psicológica, entre outras.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), se o acordo não fosse aprovado hoje, a Petrobras seguiria com o cronograma acelerado das demissões, que motivou a greve, além de punições por parte da empresa como justa causa aos 23 trabalhadores que deixaram a Ansa em apoio ao movimento grevista.

"Infelizmente, esta foi uma assembleia muito triste para nossa categoria e muito triste para os petroquímicos. Não foi uma decisão que expressou a vontade da maioria da categoria. Viemos com proposta pronta do TST e não foi sob crivo da negociação: foi sob o crivo da ameaça. Nosso próximo passo é orientar os trabalhadores e também cobrar da empresa aquelas propostas de auxiliar na recolocação que haviam prometido", analisou o dirigente jurídico do Sindiquímica-PR, onde foi realizada a assembleia, Reginaldo Lopes.
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