Bolsonaro - Isac Nobrega / Presidência da República
BolsonaroIsac Nobrega / Presidência da República
Por O Dia
Rio - Entidades de saúde se pronunciaram contra o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira, sobre a pandemia do coronavírus. Em rede nacional, o presidente se referiu a doença como uma "gripezinha" e pediu o fim do "confinamento em massa". Ele também criticou a imprensa "por espalhar o pânico" na população, "Sem pânico ou histeria, como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos", ressaltou ele.
Em nota, a Sociedade Brasileira de Infectologia repudiou o pronunciamento e afirmou que as falas podem dar a falsa impressão que as medidas de contenção social são inadequadas e que a covid-19 é semelhante a um resfriado. Os infectologistas caracterizaram a doença como grave, que já matou mais de 19 mil pessoas. Além de elogiarem o trabalho do Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta e sua equipe, "Desde o início da epidemia, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estão trabalhando em conjunto com várias sociedades médicas científicas, em especial com a Sociedade Brasileira de Infectologia, com várias reuniões presenciais, teleconferências e trocas de informações quase que diariamente".
Publicidade
A Sociedade Brasileira de Saúde Coletiva também se manifestou e caracterizou como "intolerável e irresponsável" o "discurso da morte" desta terça-feira. Eles afirmaram que o presidente desvaloriza o "trabalho sério e dedicado de toda uma rede nacional e mundial de cientistas e desenvolvedores de tecnologias em saúde". As entidades representativas da comunidade brasileira de sanitaristas, epidemiologistas, planejadores e gestores de saúde, cientistas sociais e outros profissionais da área de saúde pública se pronunciaram contra "os efeitos nocivos das posições do presidente da República sobre a grave situação epidemiológica que estamos vivendo. Seu pronunciamento perverso pode resultar em mais sofrimento e mortes na já tão sofrida população brasileira, particularmente entre os segmentos vulneráveis da sociedade", declararam os profissionais.
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia afirmou em nota que eles tem um comprometimento sério e humano com a população e endossa a manutenção de todas as medidas tomadas até o momento. "Salientamos que a maioria dos países adotam a mesma medida de contenção, apresentando sucesso.Seremos militantes do nosso posicionamento para o bem dos idosos e da população brasileira."
Publicidade
Associação Médica Brasileira se pronunciou elogiando a atuação do Ministério da Saúde no combate ao coronavírus e afirmaram que "constitui erro capital, nas crises, sustentar opiniões ou posições que perderam a validade em decorrência da evolução dos fatos".
Associação Brasileira de Climatério ressaltou a "importância de que as determinações de afastamento social temporário emanadas pelas autoridades de saúde sejam observadas fielmente". Eles informaram que se preocupam em especial, pois se dedicam ao estudo de população que pode se enquadrar com maior frequência nos grupos de maior risco para a doença. 
Publicidade
Associação Paulista de Medicina alegou que se intenção foi acalmar, "a reação da sociedade mostra que ele não alcançou seus objetivos". Segundo eles, o presidente "não traz esperança minimizando o problema, mas reforçando as soluções". Para eles, existe um perigo próximo, evidente, real e gravíssimo. "Enfrentá-lo é prioritário. Todos nos preocupamos com o impacto do isolamento social na economia, particularmente o impacto da recessão sobre a saúde. Também isso não deve ser minimizado. Mas que não se deixe a preocupação com o futuro inviabilizar o presente".
Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo alegou ver com "extrema preocupação" o pronunciamento do presidente. Também afirmou que "O isolamento é uma das medidas mais eficientes para combater a propagação de COVID-19 até o presente momento. Desta forma, a SOGESP reitera a importância de se seguir as determinações das autoridades de saúde, no sentido de se evitar ao máximo os contatos sociais."
Publicidade
A Sociedade Brasileira de Mastologia se pronunciou com preocupação "por tratar diretamente de pacientes que podem compor o grupo de risco, recebe com preocupação o número de informações desencontradas, essencialmente as que vão na contramão de todas as orientações passadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas em infectologia, que recomendam o isolamento social como forma de conter a disseminação do novo vírus". "A SBM continuará recomendando a toda população brasileira, inclusive as mulheres acometidas neste momento pelo câncer de mama e em tratamento como sessões de quimioterapia e radioterapia, para que fiquem em confinamento domiciliar".
Em comunicado conjunto, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea e Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica se pronunciaram e reforçam as ordens da OMS. "Neste momento, reiteramos que todos aqueles que podem manter-se em isolamento devem fazê-lo, pois estão colaborando para proteger as vidas dos nossos idosos que temos em nosso País e, também, das crianças, jovens e adultos que neste momento estão em tratamento hematológico, oncológico e onco hematológico, bem como aquelas que aguardam por um transplante de medula óssea ou foram recentemente transplantadas".
Publicidade