Rio, São Paulo e Brasília concentram avanço no país

Pesquisadores de três universidades fizeram simulações: vírus pode estar se propagando mais rápido do que se projetava há 20 dias

Por RENAN SCHUINDT

Rio - 20/03/2020 - COVID 19 - CORONAVIRUS - Movimentacao de pessoas no Aeroporto Santos Dumont. Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O DIA
Rio - 20/03/2020 - COVID 19 - CORONAVIRUS - Movimentacao de pessoas no Aeroporto Santos Dumont. Foto: Daniel Castelo Branco / Agencia O DIA -

A Covid-19 pode avançar mais rápido no Brasil do que em outros países, sobretudo por conta do crescimento de casos em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Essa é a conclusão de um conjunto de pesquisadores da UFRJ, USP e UnB.

Segundo os especialistas, a projeção indica que, dos 27 mil possíveis casos atualmente em todo o país, cerca de 4.050 deles estariam somente no Rio, entre assintomáticos e sintomáticos. No total, somando Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, os casos podem chegar a 16 mil na próxima semana.

As análises mais recentes da evolução da pandemia permitem prever, portanto, uma situação gravíssima, à medida que a transmissão se estabeleça em todas as capitais e nos municípios do interior do país.

Simulações apontam que nas cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e Brasília o vírus pode estar se propagando muito mais rapidamente do que se projetava há 20 dias. De acordo com o estudo, essas três cidades podem atuar como eixos de disseminação da infecção para outras partes do país.

E a situação pode ser bem pior do que parece. Os pesquisadores citam um levantamento feito pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (Inglaterra), que estima que os casos de infecção pelo novo coronavírus, notificados no Brasil, representam somente 11% dos casos reais. Ou seja, cerca de 27 mil brasileiros já podem ter contraído o vírus.

De acordo com a nota técnica publicada pelo pesquisadores brasileiros, "o quadro reforça a tese de que, em um país com o tamanho continental e as desigualdades socioeconômicas do Brasil, a análise precisa ser realizada em nível municipal, em articulação com o nível estadual. E deve, portanto, oferecer aos gestores e à população um retrato preciso da propagação da epidemia".

A nota diz, ainda, que "é preocupante a decisão do governo federal de não registrar mais os casos suspeitos, após a transmissão comunitária ter sido declarada em todo o território nacional, tornando ainda mais difícil a avaliação da progressão da epidemia e dos efeitos das ações de controle implementadas.

"Esse cenário mostra, portanto, que é essencial o uso de plataformas que atualizem, de forma acurada e em tempo real, essa previsão. Informação e transparência são cruciais para conter a Covid-19 e salvar vidas. É a medida adotada por todos os países nesse momento de pandemia", afirma o documento.

 

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