Ministério da Saúde orienta construção de hospitais de campanha em último caso

"Antes de partirmos para uma rede provisória, precisamos ver o que está disponível na rede privada.Temos que buscar estruturas provisórias só quando não tivermos mais estruturas alternativas", disse o secretário-executivo substituto, Élcio Franco

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Hospital de Campanha do Riocentro para auxílio no combate ao novo coronavírus
Hospital de Campanha do Riocentro para auxílio no combate ao novo coronavírus -
Brasília - O Ministério da Saúde divulgou, nesta segunda-feira, as regras de financiamento para a construção de novos hospitais de campanha para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus. A pasta decidiu deixar de fazer a gestão compartilhada desses hospitais e passará a descentralizar os recursos para Estados e municípios, mas a orientação é de que os hospitais de campanha sejam utilizados em último caso, inclusive após o uso de leitos privados.
"Antes de partirmos para uma rede provisória, precisamos ver o que está disponível na rede privada.Temos que buscar estruturas provisórias só quando não tivermos mais estruturas alternativas", disse o secretário-executivo substituto, Élcio Franco, acrescentando que haverá o credenciamento de leitos privados para indenização posterior.
O Sistema Único de Saúde repassa R$ 1.600 para os leitos de UTI para tratamento da covid-19. Hospitais privados têm queda de ocupação de leitos, porque procedimentos eletivos foram cancelados e há medo das pessoas de pegar a covid-19.
Para Franco, o ideal é que o hospital de campanha seja construído perto de um hospital de alta complexidade. Se não for possível, o hospital deve contar com o apoio de ambulância com suporte ventilatório para realizar a transferência dos pacientes que apresentarem agravamento do caso.
Segundo a diretora do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e Urgência, Adriana Teixeira, a proporção recomendada é de que, a cada 40 leitos clínicos (para a internação de pacientes com sintomas respiratórios de baixa complexidade), sejam construídos 10 de suporte ventilatório invasivo e não invasivo (para tratamento dos casos de piora do quadro respiratório).
O ministério pagará R$ 43 mil por leito de ventilação não invasiva. Os leitos de suporte ventilatório pulmonar terão habilitação temporária por 90 dias.
As autoridades do Ministério da Saúde ainda reforçaram a importância de que os hospitais atualizem periodicamente a taxa de ocupação dos seus leitos de UTI para que a pasta consiga auxiliar os Estados e municípios. "Precisamos muito que os cadastros de s-SUS Notifica sejam alimentados. Temos 601 estabelecimentos que atualizaram seus dados hoje, e essa taxa varia a cada dia", disse Adriana.
Cloroquina
Na entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, disse que o governo não vai, por ora, recuar da decisão do uso da cloroquina no SUS, mesmo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspender temporariamente o uso de hidroxicloroquina em ensaio clínico internacional. "Estamos tranquilos em relação a nossa orientação. Seguimos os conselho do Conselho Federal de Medicina (CFM) para que os médicos prescrevam para quem queria, a despeito de qualquer entidade internacional cancelar sua recomendação."
Ela também refutou o ensaio clínico Solidariedade (Solidarity). "Não se trata de um ensaio clínico, é um banco de dados. Nos estudos, não estava clara a forma de seleção dos pacientes nem dose padrão de cloroquina, o que nos faz refutar esse estudo", afirmou. "Estamos seguindo princípios bioéticos, no qual uma pessoa lúcida pode optar pelo uso da cloroquina. Estamos seguindo o princípio da justiça, o da equidade de oferecer o medicamento no SUS, além de orientar a dose na prescrição médica "

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