Governador do Amazonas na mira da PF por desvios na compra de respiradores

Operação investiga compras superfaturadas de respiradores e esquemas de lavagem de dinheiro nas ações de combate à pandemia do novo coronavírus no Estado

Por Agência Brasil

Governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC)
Governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) -
Brasília - A Polícia Federal (PF) cumpre nesta terça-feira, no Amazonas, 20 mandados de busca e apreensão e oito de prisão temporária de investigados por fraude e superfaturamento nas ações de combate à pandemia do novo coronavírus no Estado. Os crimes teriam sido praticados com a participação direta do governador do estado, Wilson Lima (PSC), um dos alvos da operação, assim como a secretária de saúde do estado, Simone Papaiz.
A ação investiga compras superfaturadas de respiradores, direcionamento na contratação de empresa, lavagem de dinheiro e montagem de processos para encobrir os crimes. As medidas foram determinadas pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e incluem o bloqueio de bens no valor R$ 2,976 milhões, de 13 pessoas físicas e jurídicas.

No esquema identificado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela PF, o governo do estado comprou, com dispensa de licitação, 28 respiradores de por meio de uma importadora de vinhos. Nesse contrato a suspeita de superfaturamento é de R$ 496 mil. Os equipamentos vendidos pela importadora foram adquiridos de uma empresa fornecedora de equipamentos de saúde por R$ 2,480 milhões e revendidos, no mesmo dia, por R$ 2,976 milhões ao estado.

“Os fatos ilícitos investigados têm sido praticados sob o comando e orientação do governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, o qual detém o domínio completo e final não apenas dos atos relativos à aquisição de respiradores para enfrentamento da pandemia, mas também de todas as demais ações governamentais relacionadas à questão", afirma a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, em nota publicada hoje pelo MPF.

Até o fechamento desta reportagem o governo do Amazonas ainda não havia se pronunciado sobre a investigação.

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