Filha compartilhou a última mensagem com a mãe, que morreu vítima da covid-19
Filha compartilhou a última mensagem com a mãe, que morreu vítima da covid-19Reprodução/Twitter
Por O Dia
"Eu vou pra UTI, só não tem vaga em lugar nenhum. Amo vocês". Essa mensagem, enviada pelo WhatsApp, foi o último contato entre a comerciante Valéria Zadorozny, de 42 anos, e a filha mais velha, a assistente comercial Giulia Mariana, de 23. Valéria morreu vítima da covid-19 em um hospital público no município de Esteio, no Rio Grande do Sul, na última terça-feira. Ela deixou três filhas. 
A jovem compartilhou a mensagem no Twitter horas após a morte da mãe. "Essa foi a última mensagem que tive da minha mãe (...) Ela nunca vai ver eu me formar... Usem máscara, não saiam se não for necessário, por favor", pediu Giulia na publicação, que já teve mais de 129 mil curtidas e mais de 19 mil compartilhamentos na rede.
Publicidade
Em entrevista à BBC News Brasil, a família contou que Valéria sempre adotou as medidas necessárias para evitar o contágio pelo coronavírus. Os parentes acreditam que ela tenha sido contaminada ao atender algum cliente, em sua sorveteria na cidade de Esteio (RS). "As pessoas pouco se importavam. A minha mãe cansou de brigar com clientes (para que usassem máscara)", disse Giulia à BBC.
Segundo a reportagem, os primeiros sintomas da comerciante começaram por volta de 14 de fevereiro, quando ela passou a tossir muito. Valéria realizou um teste de covid-19 dias depois, que indicou que ela e o marido estavam infectados pelo vírus. O casal ficou isolado. Giulia, que mora com a avó em outra casa, relatou que a mãe chegou a ir algumas vezes ao hospital, mas logo era liberada.
Publicidade
"Os hospitais estavam cheios, então os profissionais de saúde viam alguma melhora nela e a liberavam para que outra pessoa pudesse ser atendida também", desabafou a filha. Ainda conforme a BBC, no último dia 20, a situação se agravou. Valéria, que tinha diabetes e asma, teve os pulmões duramente comprometidos pelo coronavírus. Ela foi internada na área de emergência de uma unidade de saúde pública.

"Ela sempre mandava mensagens para a gente porque podia ficar com o celular enquanto estava internada. Porém, ninguém podia visitá-la, só o meu pai que podia ir para levar algo que ela precisasse", relembrou a jovem.
Publicidade
No sábado passado, o quadro da comerciante piorou ainda mais. Então, os médicos recomendaram que ela fosse encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No entanto, devido à falta de leitos no Rio Grande do Sul, ela não conseguiu. 
"Ela precisava disso (um leito de UTI). Ligamos para hospitais, até do litoral, inclusive particulares, e nada. Havia um leito em um hospital de Santa Maria, mas era a cinco hora de viagem e os médicos avisaram que ela não aguentaria o trajeto", narrou Giulia à BBC News Brasil.