Anvisa define recomendações para vacinação de criançasMarcelo Camargo/Agência Brasil

Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou, nesta quinta-feira, 6, uma reunião com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) para aprimorar as recomendações feitas pela Agência para a vacinação das crianças de 5 a 11 anos contra Covid-19. O objetivo, segundo a agência, é garantir uma vacinação segura para todas as crianças do Brasil.

Com a aprovação da indicação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, a Anvisa fez uma série de recomendações para garantir que as crianças recebam a dose correta, na diluição prescrita e aplicada da forma adequada.
A vacina da Pfizer para crianças traz uma distinção muito importante na forma de apresentação: a tampa laranja. Esse aspecto deve ajudar as equipes de saúde, pais, mães e responsáveis no acompanhamento da vacinação.

"A Anvisa, o Conass e o Conasems permanecerão em diálogo para que as orientações sejam aprimoradas e o Brasil, mais uma vez, obtenha sucesso na campanha vacinal e no controle da pandemia de Covid-19. Para que isso ocorra, precisamos alcançar toda a população, inclusive as crianças de 5 a 11 anos", acrescentou o órgão.
Efeitos adversos
Segundo a Anvisa, "a grande maioria dos eventos adversos pós-vacinação é decorrente da administração do produto errado à faixa etária, da dose inadequada e da preparação errônea do produto". Por isso, a agência recomendou que a vacinação de crianças seja feita em um ambiente separado da imunização dos adultos e que não sejam aproveitadas outras salas, mesmo que pediátricas.

A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 (Secovid) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as vacinas contra a covid devem ser aplicadas nas crianças "seguindo integralmente as recomendações da Anvisa". Em uma delas, a agência afirma que crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose devem permanecer com a dose pediátrica.

O órgão, que autorizou a aplicação da vacina da Pfizer em crianças em dezembro, também pediu que seja evitada a imunização desta faixa etária em postos drive-thru. Também recomendou que as doses contra a covid não sejam administradas "de forma concomitante a outras vacinas do calendário infantil, por precaução, sendo recomendado um intervalo de 15 dias".

Após a aplicação da dose, as crianças devem ser acolhidas e permanecer no local da vacinação "por pelo menos 20 minutos após a aplicação, facilitando que sejam observadas durante esse breve período", sugeriu a Anvisa.

Os profissionais de saúde devem informar aos responsáveis pela criança sobre "os principais sintomas locais esperados (por exemplo, dor, inchaço, vermelhidão no local da injeção) e sistêmico (por exemplo, febre, fadiga, dor de cabeça, calafrios, mialgia, artralgia)" e ainda "outras reações após vacinação, como linfadenopatia axilar localizada no mesmo lado do braço vacinado".
Veja todas as recomendações:
1) A imunização desta faixa etária deve começar após treinamento completo das equipes de saúde;

2) As doses devem ser aplicadas em ambiente específico e segregado da vacinação de adultos, em ambiente acolhedor e seguro para a população;

3) A vacinação de crianças em comunidades isoladas (aldeias indígenas, por exemplo), sempre que possível, deve ser feita em dias separados, não coincidentes com a vacinação de adultos;

4) A sala para aplicação de doses pediátricas deve ser exclusiva para a aplicação dessa vacina, não sendo aproveitada para a aplicação de outras vacinas, ainda que pediátricas. Não havendo disponibilidade de infraestrutura para essa separação, que sejam adotadas todas as medidas para evitar erros de vacinação;

5) O imunizante contra a covid não deve ser administrado de forma concomitante a outras vacinas do calendário infantil, por precaução, sendo recomendado um intervalo de 15 dias;

6) A vacinação das crianças deve ser evitada em postos de vacinação na modalidade drive thru;

7) As crianças devem ser acolhidas e permanecer no local da vacinação por pelo menos 20 minutos após a aplicação, facilitando que sejam observadas durante esse breve período;

8) Antes de aplicar a vacina, os profissionais de saúde devem informar ao responsável que acompanha a criança sobre os principais sintomas locais esperados (por exemplo, dor, inchaço, vermelhidão no local da injeção) e sistêmico (por exemplo, febre, fadiga, dor de cabeça, calafrios, mialgia, artralgia) e outras reações após vacinação, como linfadenopatia axilar localizada no mesmo lado do braço vacinado, que foi observada após vacinação com imunizantes de mRNA;

9) O responsáveis devem ser orientados a procurar o médico se a criança apresentar dores repentinas no peito, falta de ar ou palpitações após a aplicação da vacina;

10) Antes de imunizar as crianças, os profissionais de saúde devem mostrar ao responsável que se trata da vacina contra a covid. O frasco é da cor laranja e a dose é de 0,2ml, com 10 mcg do imunizante Comirnaty (Pfizer/Wyeth). A seringa a ser utilizada (1 mL) e o volume a ser aplicado (0,2mL) também devem ser apresentados aos pais ou responsáveis;

11) Deve ser implementado um plano de comunicação sobre as diferenças de cor entre os produtos, incluindo a utilização de redes sociais e estratégias mais visuais que textuais;

12) Atenção à possibilidade de existência de frascos de outras vacinas semelhantes no mercado, que sejam administradas dentro do calendário vacinal infantil, e que possam gerar trocas ou erros de administração;

13) As crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose devem permanecer com a dose pediátrica da vacina Comirnaty;

14) Os centros/postos de saúde e hospitais infantis devem ficar atentos e ser treinados para atender e captar eventuais reações adversas;

15) Adoção de um programa de monitoramento, capaz de captar os sinais de interesse da farmacovigilância;

16) Manutenção dos estudos de efetividade das vacinas para a faixa etária de 5 a 11 anos;

17) E adoção de outras ações de proteção e segurança para a vacinação das crianças, a critério do Ministério da Saúde e dos demais gestores da saúde pública.
*Com informações do Estadão Conteúdo