Presidente Jair Bolsonaro critica legalização do aborto na Colômbia, e entrevista em que defendia a ação volta a circularAFP
Em entrevista concedida em 2000 à revista IstoÉ Gente, que voltou a circular em grupos de mensagens e nas mídias sociais após as declarações de ontem, o presidente foi questionado sobre a legalização do aborto e respondeu: "Tem de ser uma decisão do casal". Depois, completou: "Já (vivi tal situação). Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter".
Na segunda-feira, dia 21, o mais alto tribunal da Colômbia decidiu descriminalizar o aborto nas primeiras 24 semanas de gestação, o que reacendeu o debate sobre o tema no Brasil. Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro tem tentado fidelizar o apoio dos evangélicos, uma de suas principais bases eleitorais, e apostado na pauta de costumes.
A polêmica nas redes começou quando a ex-deputada federal Manuela D'ávila (PCdoB) publicou, e em seguida excluiu, uma postagem celebrando a descriminalização na Colômbia, o que gerou grande repercussão entre bolsonaristas. Apoiadores do presidente viralizaram uma captura de tela do tweet apagado de Manuela, bem como imagens suas na igreja ao lado de Fernando Haddad (PT) na campanha presidencial de 2018. Parlamentares de esquerda, como Sâmia Bomfim, Talíria Petrone e Isa Penna, todas do PSOL, também comemoraram nas redes sociais.
"No Brasil, a esquerda festeja e aplaude a liberação do aborto até o sexto mês de gestação, lamentavelmente aprovado na Colômbia. Trata-se da vida de um bebê que já tem tato, olfato, paladar e que já ouve a voz de sua mamãe. Qual o limite dessa desumanização de um ser inocente?", escreveu o presidente, no Twitter. "No que depender de mim, lutarei até o fim para proteger a vida de nossas crianças!", acrescentou.
Na mesma entrevista à IstoÉ, em 2000, Bolsonaro disse ser católico, mas que era "coisa rara" ir à igreja. Em razão dessas declarações à revista, Bolsonaro foi questionado sobre seu posicionamento sobre o aborto na campanha presidencial de 2018. À época, ele reforçou que é contra o procedimento e que não tinha "ascendência" sobre a ex-mulher Ana Cristina Valle para tomar qualquer decisão sobre o tema. À Folha de São Paulo, declarou que quando Renan nasceu, ele fez um exame de DNA e "assumiu" a criança.







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