Presidente Lula em entrevista à Rádio Diário FM, de MacapáReprodução/redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aos países ricos por não cumprirem com uma promessa de repasse de recursos aos países com florestas em pé. A declaração ocorreu em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá, nesta quarta-feira, 12.

Esta é uma crítica constante que Lula faz - a falta de repasse de recursos dos países ricos pela manutenção das florestas. O petista disse, porém, que o "comportamento" de Trump dificulta ainda mais a negociação em torno desse financiamento.

"Queremos discutir seriamente o financiamento. Vão financiar ou não? Na COP de 2009, eu era presidente da República e lá os países ricos prometeram dar 100 bilhões de dólares para que os países com florestas em pé mantivessem as florestas. Não deram. Depois prometeram 300 bilhões (de dólares), não deram. Agora, a necessidade fez chegar a 1,3 trilhão (de dólares). Vai ficar cada vez mais difícil. E pelo comportamento do presidente dos EUA, vai ficar cada vez mais difícil os países ricos se comprometerem a ajudar na salvação do planeta", declarou Lula.
Margem Equatorial
O presidente defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial, mas disse que antes disso é preciso que haja estudos sobre a quantidade de óleo no local para determinar a viabilidade disso. Segundo o presidente, a Casa Civil deve ter uma reunião nesta ou na próxima semana com o Ibama para discutir o aval para essas pesquisas.
Perto do fim da entrevista, o próprio petista questionou o entrevistador, Luiz Melo, se ele não falaria sobre o assunto.
"Luiz, queria fazer uma pergunta, estou aqui aguardando você fazer a pergunta sobre petróleo", disse. O entrevistador, então, afirmou que a pergunta estava "engatilhada" e questionou sobre os estudos para a extração de petróleo.

Lula respondeu: "Não é que eu vou mandar explorar. Eu quero que ele seja explorado. Agora, antes de explorar, temos que pesquisar. Temos que ver se tem petróleo e a quantidade. Talvez na semana que vem ou na outra vai ter uma reunião com a Casa Civil e o Ibama. Precisamos autorizar que a Petrobras faça pesquisa. Se depois a gente vai explorar é outra questão".

O presidente criticou o que chamou de "lenga-lenga" e disse que o Ibama não pode ficar "parecendo ser contra o governo".

"O que não pode é ficar nesse lenga-lenga, com o Ibama sendo um órgão do governo e parecendo ser contra o governo", declarou.
Alimentos
O chefe do Executivo também disse que o governo tem trabalhado em medidas para o mercado de trabalho, especialmente para atender as pessoas que trabalham por conta própria. Durante a entrevista, Lula afirmou que tem conversado com empresários, que se queixam que não conseguem mão de obra para suas empresas por causa dos benefícios sociais oferecidos pelo governo.

"Tenho conversado com muitos empresários e eles se queixam muito que querem contratar mão de obra e não existe, e eles jogam culpa nos benefícios que o governo oferece. O governo oferece benefício na perspectiva de que as pessoas possam conseguir empregos e sair do benefício, porque ele é para ajudar os mais necessitados", declarou.

"Precisamos saber a causa para as pessoas não quererem entrar no mercado de trabalho. Possivelmente o salário seja baixo, possivelmente a juventude não tenha mais o sonho que eu tinha de assinar a carteira profissional e trabalhar das 7h às 18h, possivelmente a juventude quer ser empreendedora. Estamos trabalhando para dar oportunidade também às pessoas que querem trabalhar por conta própria", completou.

O presidente disse, ainda, que o custo de vida "preocupa" o governo. O presidente falou que vai se reunir com setores empresariais para tentar um acordo sobre a alta no custo de vida "Estamos vendo como fazer para baratear alimentos e continuar aumentando salário", declarou.

Segundo o presidente, é preciso "nos preparar para atender o mercado externo (com os alimentos exportados) sem criar problema para o mercado interno". "Estamos vendo como fazer para baratear alimentos e continuar aumentando salário", declarou.
Lula afirmou que viajará ao Japão no dia 27 deste mês para tentar abrir o mercado japonês para as exportações de carne do Brasil.

"Eu agora dia 27 vou para o Japão com a perspectiva de abrir o mercado do Japão para a carne brasileira. Já tinha aberto em 2005 para comprar frutas brasileiras. É assim que o Brasil é respeitado", declarou.

O petista criticou a condução da política externa durante o governo de Jair Bolsonaro e disse que seu esforço, nos últimos anos, tem sido de abrir mercados e estipular relações com os mais diversos países.
Taxa de juros
O chefe do Executivo disse que é preciso "dar tempo" ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para que a taxa de juros caia nos próximos meses. Repetiu que não é possível esperar um "cavalo de pau" e uma queda imediata, culpando o antecessor, Roberto Campos Neto, pelas últimas altas.

"Tenho certeza de que o Gabriel Galípolo vai consertar a taxa de juros nesse País. Temos de dar a ele o tempo necessário para fazer as coisas. Ele não poderia entrar e dar um cavalo de pau. É preciso que vá com cuidado para que a gente não tenha uma trombada", declarou.

Lula disse que Campos Neto, antigo presidente do BC, "foi um cidadão que teve um comportamento muito anti-Brasil no Banco Central".

"Ele falava mal do Brasil o tempo inteiro, passava descrédito para os empresários, inclusive no exterior. Ele foi se comprometendo e aumentando cada vez mais a taxa de juros", declarou.

O presidente disse que "Galípolo passará à história como o melhor presidente que o BC já teve em sua história, ele é muito inteligente, muito capaz e muito brasileiro".
PIB, inflação e salário real
O chefe do Executivo voltou a falar que a economia está crescendo, a inflação está controlada, e o salário real e o crédito estão aumentando. O presidente tem tentado passar uma imagem positiva do governo nas entrevistas que tem dado a rádios locais nas últimas semanas.

Na conversa, Lula disse que está "com muita vontade de trabalhar, de participar dessa colheita e muita vontade de entregar os resultados dessa colheita para o povo brasileira".

"Quem passou dois anos reconstruindo o País agora tem que entregar para o povo o resultado para o povo daquilo que trabalhamos nos últimos dois anos", declarou.

Lula disse que "quase nada foi feito nesse País" desde que o PT deixou o governo em 2016, com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "Quase nada foi feito na educação, na saúde, na cultura. Fico olhando para o passado recente para não repetir nenhum erro que eles cometeram", afirmou.

O presidente cutucou, ainda, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse que terá os "dois anos mais importantes da minha vida". Afirmou que quer fazer entregas nos próximos dois anos e "sair de cabeça erguida" da Presidência, e não "fugir para Miami", uma referência à recusa do ex-presidente em passar a faixa presidencial após perder as eleições de 2022.

"Tenho dois anos muito primorosos, os dois anos mais importantes da minha vida. Preciso entregar tudo aquilo que prometi para o povo. Quero entregar porque quero sair de cabeça erguida, como entrei. Ir lá, descer a rampa, cumprimentar o povo. Não quero fugir para Miami e nem deixar de colocar a faixa no presidente que ganhar as eleições. Se alguém ganhar, vou lá e entrego a faixa", declarou.
Linha de transmissão no Amapá
O chefe do Executivo disse ainda que o governo vai inaugurar nesta quinta-feira, 13, uma linha de transmissão no Amapá que, segundo ele, vai "resolver definitivamente o problema do apagão que teve em 2020 no Amapá".
"Fizemos uma medida provisória e baixamos muito o preço da energia elétrica porque não era justo o povo do Amapá pagar 44% de reajuste de luz. Foi uma intervenção boa. E amanhã (quinta-feira) vamos inaugurar um trecho da linha de transmissão para resolver definitivamente o problema do apagão que teve em 2020 no Amapá", disse.