Presidente Lula em entrevista à Rádio Diário FM, de MacapáReprodução/redes sociais
Esta é uma crítica constante que Lula faz - a falta de repasse de recursos dos países ricos pela manutenção das florestas. O petista disse, porém, que o "comportamento" de Trump dificulta ainda mais a negociação em torno desse financiamento.
"Queremos discutir seriamente o financiamento. Vão financiar ou não? Na COP de 2009, eu era presidente da República e lá os países ricos prometeram dar 100 bilhões de dólares para que os países com florestas em pé mantivessem as florestas. Não deram. Depois prometeram 300 bilhões (de dólares), não deram. Agora, a necessidade fez chegar a 1,3 trilhão (de dólares). Vai ficar cada vez mais difícil. E pelo comportamento do presidente dos EUA, vai ficar cada vez mais difícil os países ricos se comprometerem a ajudar na salvação do planeta", declarou Lula.
Lula respondeu: "Não é que eu vou mandar explorar. Eu quero que ele seja explorado. Agora, antes de explorar, temos que pesquisar. Temos que ver se tem petróleo e a quantidade. Talvez na semana que vem ou na outra vai ter uma reunião com a Casa Civil e o Ibama. Precisamos autorizar que a Petrobras faça pesquisa. Se depois a gente vai explorar é outra questão".
O presidente criticou o que chamou de "lenga-lenga" e disse que o Ibama não pode ficar "parecendo ser contra o governo".
"O que não pode é ficar nesse lenga-lenga, com o Ibama sendo um órgão do governo e parecendo ser contra o governo", declarou.
"Tenho conversado com muitos empresários e eles se queixam muito que querem contratar mão de obra e não existe, e eles jogam culpa nos benefícios que o governo oferece. O governo oferece benefício na perspectiva de que as pessoas possam conseguir empregos e sair do benefício, porque ele é para ajudar os mais necessitados", declarou.
"Precisamos saber a causa para as pessoas não quererem entrar no mercado de trabalho. Possivelmente o salário seja baixo, possivelmente a juventude não tenha mais o sonho que eu tinha de assinar a carteira profissional e trabalhar das 7h às 18h, possivelmente a juventude quer ser empreendedora. Estamos trabalhando para dar oportunidade também às pessoas que querem trabalhar por conta própria", completou.
O presidente disse, ainda, que o custo de vida "preocupa" o governo. O presidente falou que vai se reunir com setores empresariais para tentar um acordo sobre a alta no custo de vida "Estamos vendo como fazer para baratear alimentos e continuar aumentando salário", declarou.
Segundo o presidente, é preciso "nos preparar para atender o mercado externo (com os alimentos exportados) sem criar problema para o mercado interno". "Estamos vendo como fazer para baratear alimentos e continuar aumentando salário", declarou.
"Eu agora dia 27 vou para o Japão com a perspectiva de abrir o mercado do Japão para a carne brasileira. Já tinha aberto em 2005 para comprar frutas brasileiras. É assim que o Brasil é respeitado", declarou.
O petista criticou a condução da política externa durante o governo de Jair Bolsonaro e disse que seu esforço, nos últimos anos, tem sido de abrir mercados e estipular relações com os mais diversos países.
"Tenho certeza de que o Gabriel Galípolo vai consertar a taxa de juros nesse País. Temos de dar a ele o tempo necessário para fazer as coisas. Ele não poderia entrar e dar um cavalo de pau. É preciso que vá com cuidado para que a gente não tenha uma trombada", declarou.
Lula disse que Campos Neto, antigo presidente do BC, "foi um cidadão que teve um comportamento muito anti-Brasil no Banco Central".
"Ele falava mal do Brasil o tempo inteiro, passava descrédito para os empresários, inclusive no exterior. Ele foi se comprometendo e aumentando cada vez mais a taxa de juros", declarou.
O presidente disse que "Galípolo passará à história como o melhor presidente que o BC já teve em sua história, ele é muito inteligente, muito capaz e muito brasileiro".
Na conversa, Lula disse que está "com muita vontade de trabalhar, de participar dessa colheita e muita vontade de entregar os resultados dessa colheita para o povo brasileira".
"Quem passou dois anos reconstruindo o País agora tem que entregar para o povo o resultado para o povo daquilo que trabalhamos nos últimos dois anos", declarou.
Lula disse que "quase nada foi feito nesse País" desde que o PT deixou o governo em 2016, com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "Quase nada foi feito na educação, na saúde, na cultura. Fico olhando para o passado recente para não repetir nenhum erro que eles cometeram", afirmou.
O presidente cutucou, ainda, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse que terá os "dois anos mais importantes da minha vida". Afirmou que quer fazer entregas nos próximos dois anos e "sair de cabeça erguida" da Presidência, e não "fugir para Miami", uma referência à recusa do ex-presidente em passar a faixa presidencial após perder as eleições de 2022.
"Tenho dois anos muito primorosos, os dois anos mais importantes da minha vida. Preciso entregar tudo aquilo que prometi para o povo. Quero entregar porque quero sair de cabeça erguida, como entrei. Ir lá, descer a rampa, cumprimentar o povo. Não quero fugir para Miami e nem deixar de colocar a faixa no presidente que ganhar as eleições. Se alguém ganhar, vou lá e entrego a faixa", declarou.
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