Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Evaristo Sa/AFP
Luiz Inácio Lula da Silva, de 79 anos, promete que 2025 será o "ano da colheita" de suas promessas eleitorais, após passar os dois primeiros anos "arrumando" a "casa semidestruída" que afirma ter herdado de seu antecessor, o político de extrema direita Jair Bolsonaro.
Mas as pesquisas sugerem que os brasileiros, em especial seu eleitorado, estão cada vez mais desiludidos com seu presidente.
A proporção que avalia o governo como "bom" ou "ótimo" caiu 11 pontos percentuais desde dezembro, a 24%, segundo uma pesquisa da Datafolha, realizada em 10 e 11 de fevereiro. Os índices dos que os consideram "ruim" ou "péssimo" dispararam de 34% a 41%.
A popularidade nunca foi tão baixa para Lula, que terminou seus dois primeiros mandatos (2003-2010) com níveis recordes de aprovação. Seguem quatro chaves da queda da popularidade de Lula.
Economia
A recente sugestão de Lula de que as pessoas não comprassem alimentos caros para pressionar os comerciantes a baixar os preços só aumentou o descontentamento e foi ridicularizada pela oposição.
"É um elemento fundamental" para a imagem ruim do governo, disse à AFP o analista político André César.
Para combater o aumento dos preços, o Banco Central se prepara para continuar elevando a já alta taxa de juros (13,25%), o que pode minar ainda mais a popularidade de Lula, mesmo com outros indicadores a seu favor, como o desemprego, em seu mínimo histórico.
Direita fortalecida
Agora, enfrenta o crescente fortalecimento da direita mundial, especialmente com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.
Isso repercute internamente: Bolsonaro — embora inabilitado politicamente — reina entre setores conservadores e seus aliados têm peso no Congresso majoritariamente de direita.
Segundo César, hoje a pauta conservadora é muito forte no Congresso, onde se discute, por exemplo, a criminalização do porte de qualquer quantidade de drogas e uma possível anistia para bolsonaristas presos pelo ataque aos poderes públicos em 2023.
"É um governo (Lula) reativo, não é um governo proativo, tem que sempre correr atrás do prejuízo e então ele tem que enfrentar uma direita que está sempre dois passos à frente", disse César à AFP, acrescentando que a direita é digital e a esquerda continua analógica.
Sem 'rosto social'
Mas analistas dizem que não será suficiente para reverter a situação e que Lula precisa de um plano social ambicioso, além do Bolsa Família.
"O governo não tem rosto social", disse o historiador Marco Antonio Villa em um vídeo nas redes sociais. "Qual é o novo programa? (Ele precisa) de algo que dê um choque".
O panorama levanta dúvidas sobre se ele concorrerá à reeleição em 2026, já alimentadas por sua idade e problemas de saúde, após passar por uma cirurgia na cabeça no ano passado devido a um acidente doméstico.
"Tenho 79 anos (...) Não posso mentir para ninguém, muito menos para mim", afirmou a uma emissora de rádio. "Se eu estiver legal, e achar que posso ser candidato, eu posso ser candidato. Mas não é minha prioridade agora", afirmou.

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