O neurologista Flávio Sallem destaca a importância do acompanhamento médico contínuoInstanfram/Reprodução

O Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que será celebrado no próximo dia 30, tem como objetivo conscientizar a população sobre a doença e reforçar a importância do diagnóstico e do tratamento precoces. Criada pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), a data destaca a luta de milhões de pessoas em todo o mundo que convivem com essa condição neurológica crônica e autoimune.
Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, afetando 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, sendo 85% mulheres jovens, brancas, entre 18 e 30 anos.
A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, substância que reveste e protege as fibras nervosas no sistema nervoso central, provocando falhas na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Segundo Flávio Sallem, neurologista do Hospital Japonês Santa Cruz, em São Paulo, “a esclerose múltipla pode se manifestar de forma variada, com sintomas que vão desde alterações visuais, fadiga intensa, dormências e desequilíbrio até dificuldades cognitivas”.
A doença afeta, em sua maioria, adultos jovens entre 20 e 40 anos, sendo mais comum em mulheres. Por se tratar de uma enfermidade com sintomas flutuantes e inespecíficos, o diagnóstico pode ser, em muitos casos, demorado. “Não existe um exame único para identificar a EM. O diagnóstico é clínico, baseado em exames de imagem, como a ressonância magnética, além de análise do líquor e testes neurológicos”, explica o médico.
Embora a esclerose não tenha cura, existe tratamento para minimizar os sintomas. Atualmente, há diversas terapias modificadoras da doença que visam reduzir a frequência e a intensidade das crises, além de retardar a progressão da incapacidade.
“O acompanhamento médico contínuo é essencial. Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem manter uma vida ativa e produtiva”, afirma o especialista. Para isso, o suporte emocional é fundamental. “É importante oferecer suporte psicológico, além de acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, quando necessário”, complementa o neurologista.