O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu que a empresa responsável pelo balão de ar quente que incendiou e caiu com 21 pessoas a bordo, deixando oito mortos em Praia Grande, no sul de Santa Catarina, esclareça as causas e circunstâncias do acidente em até 10 dias, a contar de segunda-feira (23).
A medida é uma da série de providências solicitadas após o órgão abrir um inquérito civil para investigar o caso no domingo (22), dia seguinte ao acidente. Entre os mortos, quatro se jogaram do balão em chamas a cerca de 45 metros de altura, e quatro morreram carbonizados.
A Sobrevoar, operadora do balão incendiado, também deverá encaminhar à promotoria local a documentação que comprove o cumprimento dos requisitos legais e operacionais estabelecidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A empresa afirmou cumprir as regras da agência para voar e afirmou não ter registro de outros acidentes. A companhia também disse ter suspendido suas operações por tempo indeterminado.
O MPSC também solicitou à Polícia Civil o compartilhamento do inquérito e pediu à prefeitura de Praia Grande que seja informada em até cinco dias a relação das empresas autorizadas a realizar passeios turísticos com balões na cidade.
De acordo com a Polícia Civil, o piloto relatou que o balão em chamas conseguiu descer próximo ao chão e, neste momento, houve orientação para que as pessoas pulassem.
A diminuição do peso teria feito com que o balão subisse novamente com as oito vítimas que não conseguiram desembarcar e morreram carbonizadas.
Segundo as forças policiais catarinenses, a suspeita central é que um incêndio tenha começado no próprio cesto do balão, possivelmente causado por um maçarico que não fazia parte da estrutura original do equipamento. O indício foi apontado pelo piloto do balão, um dos sobreviventes, que relatou a história para a Polícia Civil.
Balão
O voo teve duração de quatro minutos. Segundo o anúncio da empresa responsável, no entanto, o passeio teria duração de 45 minutos. O balão tinha capacidade para carregar até 27 pessoas ou 2.870 quilos.
A empresa operava desde setembro de 2024 e tinha autorização da prefeitura para funcionar.
Tradicional destino de balonismo, Praia Grande fica perto de uma região de cânions no extremo sul de Santa Catarina, a cerca de 270 quilômetros de Florianópolis. É chamada de Capadócia Brasileira, em alusão à região da Turquia onde a prática de balões atrai turistas de todo o mundo.
Quem são as vítimas?
Entre os mortos havia uma mãe e filha, dois casais, um patinador artístico e um oftalmologista. Todos tinham como origem o sul do país. São eles:
- Everaldo da Rocha, de 53 anos, e Janaína Moreira Soares da Rocha, de 46 anos – O casal fazia o passeio com os filhos, que estão entre os sobreviventes.
- Fabio Luiz Izycki, de 42 anos, e Juliane Jacinta Sawicki, de 36 anos – O bancário e a engenheira agrônoma, ambos gaúchos, estavam namorando.
- Leandro Luzzi, de 33 anos – O patinador artístico era diretor técnico da Federação Catarinense de Patinação Artística e fundador de uma escola da modalidade na cidade catarinense de Brusque, além de atuar como técnico da seleção brasileira. Fazia o passeio com o namorado, que sobreviveu.
- Leane Elizabeth Herrmann, de 70 anos – Realizava o passeio com a família.
- Leise Herrmann Parizotto, 37 anos – Médica de um posto de saúde em Blumenau (SC), ela fazia o passeio junto com a mãe, Leane.
- Andrei Gabriel de Melo, de 34 anos – Oftalmologista de Fraiburgo, município no oeste de Santa Catarina.
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