A acareação entre Cid e Braga Netto foi solicitada pela defesa do generalTom Molina/STF Isac Nóbrega/PR

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, estão frente a frente nesta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro acontece durante uma acareação para esclarecer versões contraditórias em seus depoimentos na ação penal que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A acareação é uma audiência realizada entre juiz e partes de um processo para o esclarecimento de versões divergentes sobre os fatos julgados. O procedimento é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do caso.

Ao contrário da audiência com os interrogatórios dos réus, não há transmissão ao vivo das acareações. Também não é permitido o acompanhamento das sessões pela imprensa, tal como realizado durante a fase de coleta de testemunhos.
De acordo com os advogados de Braga Netto, há divergências em dois pontos principais entre os depoimentos do ex-ministro e do tenente-coronel Mauro Cid. O primeiro é sobre a reunião realizada em novembro de 2022 na residência de Braga Netto.
Segundo Cid, o encontro teve como objetivo discutir o plano denominado "Punhal Verde e Amarelo", que previa a execução de autoridades como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Moraes.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro afirmou ainda que, durante a reunião, os participantes manifestaram insatisfação com os resultados das eleições e com a forma como as Forças Armadas estavam lidando com o tema.
De acordo com Cid, o ex-ministro teria então solicitado que o ex-ajudante de ordens se retirasse do encontro, pois a partir daquele momento seriam discutidas "medidas operacionais" das quais, por sua proximidade com o ex-presidente, ele não poderia participar. Braga Netto nega essa versão.

A segunda divergência envolve uma suposta entrega de dinheiro feita por Braga Netto a Mauro Cid, que teria repassado os valores ao major De Oliveira, apelidado de "kid preto", para financiar atos antidemocráticos. O dinheiro teria sido entregue dentro de uma caixa de vinho.
Cid afirmou que o ex-ministro fez a entrega no Palácio da Alvorada. A defesa de Braga Netto, no entanto, também nega essa versão.
Anderson Torres x Freire Gomes

A pedido da defesa de Anderson Torres,  também será realizada uma acareação entre o ex-ministro da Justiça e Freire Gomes. O ex-comandante do Exército afirma que Torres participou de reuniões em que foram discutidas medidas de exceção, enquanto o ex-ministro nega a afirmação. A audiência entre Torres e Freire Gomes ocorrerá a partir das 14h.