Lindbergh também responsabilizou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Líder do PT na Câmara diz que partido estuda formas de pedir cassação de Eduardo Bolsonaro
Lindbergh Farias culpa deputado licenciado, que vive nos EUA, por articulação da sobretaxa de Trump contra o Brasil
Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ) disse que o partido estuda formas de pedir a cassação do mandato de Eduardo, que está licenciado morando nos Estados Unidos, de onde diz mobilizar republicanos contra o que diz acreditar ser uma injustiça contra seu pai. Lindbergh também responsabilizou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que postou foto nas redes sociais com boné dos Estados Unidos nesta semana
"Não tem dúvidas que teve a atuação do Eduardo e teve essa campanha que estão fazendo fora do País cotidianamente", disse Lindbergh. "Os vira-latas da extrema direita têm que se explicar O Tarcísio vai continuar com o boné do Trump? Quantos empregos vão ser perdidos em São Paulo? Qual o impacto disso na economia? É um tipo de decisão que o governo tem que reagir, o Itamaraty e o governo têm que encontrar formas de reagir".
A notícia do tarifaço foi recebida com festa na direita. No plenário da Câmara, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) abraçou colegas falando "duvidaram do galego, olha o que o galego conseguiu", referindo-se a Eduardo. Nos bastidores, porém, políticos de direita se disseram preocupados e afirmaram que a batalha da comunicação entre petistas e bolsonaristas nas redes sociais nas próximas 24h será decisiva para dizer que lado vai faturar politicamente com o ocorrido.
Isso porque o tarifaço tem o condão de prejudicar atividades econômicas, como o agronegócio, que tem representantes que apoiam Bolsonaro.
Um dos deputados mais ativos nas redes sociais, Nikolas Ferreira (PL-MG), disse ao Estadão que já preparou o discurso de resposta aos petistas.
"A carta (do Trump) fala expressamente, já no primeiro parágrafo, na primeira linha, que isso está acontecendo por conta do tratamento que o Lula está dando ao presidente Bolsonaro, e ao STF, que tem suprimido liberdades de expressão, inclusive, de americanos. Então, está na mão deles", disse Nikolas.
"Quer parar de ter 50% de sobretaxa, que é horrível pro Brasil? Resolve. Para de falar antes das eleições que o Trump é nazista, para de xingar o Elon Musk… Deixa o Bolsonaro ser candidato, para de perseguir. Começa a tratar os deputados de direita sem perseguição. Para de falar que o Eduardo está fazendo ataque à soberania nacional enquanto está pedindo liberdade para Cristina Kirchner, é simples", acrescentou.
Mais tarde, na tribuna da Câmara, Nikolas bateu boca com André Janones (Avante-MG), que foi empurrado por bolsonaristas sob gritos de "rachadinha", em alusão à suposta prática no gabinete do deputado.
Líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) afirmou que o governo Lula vai avaliar medidas de retaliação contra os Estados Unidos. Uma reunião foi convocada pelo presidente no Palácio do Planalto para tratar da medida.
"Quer o governo americano interferir na Justiça brasileira? O governo brasileiro não vai aceitar, isso fere todos os princípios do direito internacional. O governo vai avaliar medidas à altura dessa agressão que o governo brasileiro está sofrendo", disse Guimarães.
Para o senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, o governo Lula está "colhendo o que plantou". Ele afirma que a medida terá impacto sobre o cidadão brasileiro, mas que as tarifas do governo americano são uma reação a violações que acontecem em território nacional.
"O governo brasileiro, está colhendo o que plantou, a péssima política externa do país que torna o Brasil um governo anão na sua relação externa. Os Estados Unidos já vêm denunciando o que acontece hoje aqui no Brasil, a questão da liberdade de expressão, inclusive sobre empresas americanas, as redes sociais americanas, o X, violações ao devido processo legal que extrapolam as nossas fronteiras e isso tudo causa ação e reação, causa um resultado", afirmou.
Dos Estados Unidos, Eduardo publicou longa nota em que elogia o ato de Trump e atribui a sobretaxa a atos como o julgamento do marco civil da internet no STF e a reunião dos BRICS, com a presença de representantes do Irã e da China. Ele apelidou a sobretaxa de "tarifa Moraes".
"O presidente Trump, corretamente, entendeu que Alexandre de Moraes só pode agir com o respaldo de um establishment político, empresarial e institucional que compactua com sua escalada autoritária. O presidente americano entendeu que esse establishment também precisa arcar com o custo desta aventura", escreveu Eduardo.
Segundo ele, sem a aprovação da anistia aos participantes do 8 de janeiro e uma legislação que trate da liberdade de expressão na internet, Trump pode baixar mais medidas contra o Brasil.
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