Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve usar um dispositivo eletrônico enquanto aguarda o veredito do julgamentoAFP

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (18) para manter as medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 
A deliberação começou ao meio-dia desta sexta e termina na próxima segunda-feira (21). 
Moraes, autor da decisão, foi o primeiro a se manifestar. Ele foi seguido pelo ministro Flávio Dino e Cristiano Zanin. Os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia ainda precisam votar no julgamento virtual.
Durante o voto, Dino chamou de "sequestro da economia de uma Nação" a ação de Donald Trump em favor de Bolsonaro.
"Esta coação assume uma forma inédita: o 'sequestro' da economia de uma Nação, ameaçando empresas e empregos, visando exigir que o Supremo Tribunal Federal pague o "resgate", arquivando um processo judicial instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República, sob a regência exclusiva das leis brasileiras. O Direito Constitucional Comparado registra intervenções armadas contra Tribunais, cassações de magistrados, "court packing plan", dissolução política de Cortes. Mas esse 'sequestro' certamente merecerá muitos estudos acadêmicos, inclusive nas Universidades dos Estados Unidos, por seu caráter absolutamente esdrúxulo'", escreveu o ministro.
A sessão foi extraordinária após Moraes, que é relator do caso, pedir a Cristiano Zanin a convocação do plenário virtual da Primeira Turma para que as determinações sejam analisadas pelos demais ministros do colegiado. 
Operação
Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do ex-chefe do Executivo em Brasília. 
Além disso, Bolsonaro precisará cumprir o recolhimento domiciliar de 19h às 6h e também nos fins de semana; não poderá se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros nem com outros réus e investigados pelo STF.
Moraes afirmou que o ex-presidente confessou de forma "consciente e voluntária" uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira e que agiu com o filho Eduardo para "interferir no curso de processos judiciais", ao condicionar o fim do tarifaço do presidente dos Estados Unidos Donald Trump à própria anistia.
O republicano anunciou tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, alegando que Bolsonaro sofria uma "caça às bruxas" e fazendo ataques ao Supremo. 

E entrevista, Bolsonaro classificou a investigação como política e negou que estivesse planejando deixar o país. O ex-chefe do Executivo também disse ainda que as medidas contra ele são uma "suprema humilhação".