Jair Bolsonaro e Eduardo BolsonaroMarcos Corrêa/PR
Moraes cita repasse de R$ 2 milhões de Bolsonaro a Eduardo nos EUA em decisão que impõe prisão domiciliar
Ministro do STF aponta que o apoio financeiro é um dos indícios da atuação conjunta entre pai e filho para interferir na Justiça brasileira e abalar a economia do país
Rio — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou o repasse de R$ 2 milhões feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao filho Eduardo Bolsonaro, já nos Estados Unidos, como um dos indícios da atuação conjunta entre os dois para pressionar o Poder Judiciário e interferir nos rumos da economia brasileira. A informação consta na decisão que impôs a Bolsonaro prisão domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com Moraes, o ex-presidente agiu por meio de declarações públicas, postagens em redes sociais e apoio direto ao filho, incluindo a "vultosa contribuição financeira", com o objetivo de interferir na atividade jurisdicional do STF e condicionar o fim das sanções econômicas impostas ao Brasil à sua própria anistia.
O ministro afirmou que a conduta de Bolsonaro "é tão grave e despudorada" que, em entrevista coletiva concedida na quinta-feira, 17 — data da assinatura da decisão —, ele teria confessado "sua consciente e voluntária atuação criminosa na extorsão que se pretende contra a Justiça brasileira".
Ainda segundo Moraes, os indícios revelam um alinhamento entre Bolsonaro e Eduardo para pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações com integrantes do governo de Donald Trump. Para o ministro, trata-se de uma tentativa de submeter o funcionamento do STF "ao crivo de outro Estado estrangeiro".
"O Brasil é soberano e não permitirá qualquer tentativa de submissão dos seus atos jurisdicionais a outro país, sobretudo por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas de políticos brasileiros com Estado estrangeiro", afirmou Moraes.

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