Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Ricardo Stuckert / PR
"Nós não estamos em uma guerra tarifária. A guerra tarifária vai começar quando eu der uma resposta a Trump, se ele não mudar de opinião. As condições que o Trump impôs não foram condições adequadas", afirmou Lula, que voltou a rechaçar a alegação do líder americano sobre déficits na relação comercial com o Brasil.
O presidente dos Estados Unidos anunciou as tarifas de 50% ao Brasil no dia 9 de julho. A taxação passará a valer em agosto. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta negociar e também avalia medidas de retaliação, como o fim de patentes de medicamentos.
Lula disse estar "tranquilo" em relação à crise e elogiou o trabalho dos ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
O chefe do Executivo disse ainda que os empresários brasileiros precisam conversar com os americanos, pois os setores produtivos dos dois países são prejudicados. O presidente também manifestou interesse em ter uma conversa com Trump.
"Dois chefes de Estado precisam conversar e precisam levar em conta os interesses dos seus países. Eu não acho ruim que o Trump esteja defendendo os interesses dos Estados Unidos, mas ele tem que levar em conta que eu estou defendendo os interesses do Brasil", afirmou Lula.
"Por que que nós estamos fazendo esse movimento? Porque a democracia corre risco com o extremismo como ocorreu na fundação do Partido Nazista, com a questão da ascensão do [Adolf] Hitler. O que nós queremos é democracia, não importa que seja de direita, que seja de esquerda, que seja de centro. O que nós queremos é o exercício da democracia, com tolerância, com respeito à diversidade, com respeito ao pensamento ideológico, com respeito à cultura de cada país, a cada religião. É isso que eu quero para o Brasil", disse Lula.
Também participaram do evento Democracia Sempre os líderes da Colômbia, Gustavo Petro; da Espanha, Pedro Sánchez; e do Uruguai, Yamandú Orsi. Na sequência da reunião reservada entre os líderes, eles se encontraram com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e de grupos de reflexão sobre políticas públicas.
As discussões envolvem três temas: defesa da democracia e do multilateralismo; combate às desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à desinformação.
Para Lula, é preciso ações concretas e urgentes diante do agravamento da ofensiva antidemocrática no mundo.
Após o encontro entre os presidentes, eles divulgaram uma declaração conjunta com compromissos e consensos em defesa da democracia.
O documento, publicado pelo Palácio Itamaraty, destaca ações prioritárias e premissas que consideram essenciais, como:
- A reforma do sistema de governança global;
- O fortalecimento de uma diplomacia democrática ativa, baseada na cooperação entre Estados que compartilham os valores da democracia, da justiça social, dos direitos humanos e da soberania;
- Reafirmar o compromisso com a paz, o respeito ao direito internacional e a direitos humanitários;
- Escalada de tensões
O presidente brasileiro demonstrou otimismo com uma solução negociada para o impasse e voltou a destacar a necessidade dos empresários se envolverem em uma pressão conjunta.
Histórico
Como próximo marco da iniciativa, está prevista a realização de reunião no contexto da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro próximo, em Nova York. Na ocasião, também devem participar os líderes de México, Inglaterra, Canadá, Honduras, Austrália, África do Sul e Dinamarca.

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