Deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro Alexandre de MoraesReprodução/internet

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou nesta quinta-feira (24) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após o magistrado citar que houve descumprimento da medida cautelar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por meio das redes sociais do parlamentar. Eduardo disse que chamou Moraes de "tirano covarde".
Na manifestação, o ministro citou um "modus operandi" criminoso e que a "Justiça é cega, mas não é tola".
"Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que, as redes sociais do investigado Eduardo Nantes Bolsonaro foram utilizadas a favor de Jair Messias Bolsonaro dentro do ilícito modus operandi já descrito", afirmou. "Entretanto, por se tratar de irregularidade isolada, sem notícias de outros descumprimentos até o momento", acrescentou.
Bolsonaro pode dar entrevistas, pode fazer discursos, mas Eduardo provocará a prisão do pai, caso volte a divulgar qualquer conteúdo relacionado a falas dadas pelo ex-presidente.
O parlamentar reagiu aos argumentos do ministro, chamando o ministro de "tirano covarde".
"Moraes diz que meu pai pode dar entrevistas, desde que não sejam "instrumentalizadas" por mim. (...) É uma tentativa tosca e desesperada de me censurar usando meu pai como refém. E como qualquer bandido na esquina, ameaça meu pai para tentar me calar", escreveu no X (antigo Twitter).

"Cuba, China e Coreia do Norte também ameaçam a família dos dissidentes políticos exilados, tentando intimidá-los e calá-los. Você é um tirano covarde, Alexandre. Um covarde acabado, só não se deu conta ainda", finalizou Eduardo Bolsonaro.
Na última segunda-feira (21), Moraes determinou que os advogados de Bolsonaro prestassem esclarecimentos sobre descumprimento das medidas cautelares que proíbe o ex-presidente de usar redes sociais.
Bolsonaro tinha ido à Câmara e deu declarações públicas e exibiu a tornozeleira eletrônica ao lado de aliados, que transmitiram o conteúdo do encontro em suas redes sociais. Os advogados do ex-chefe do Executivo alegaram que ele não tinha conhecimento da proibição de conceder entrevistas, pois a restrição, segundo a defesa, só ficou expressa em um despacho posterior do ministro, e prometeram que o ex-presidente seguirá sem se manifestar.

Nesta quinta, o ministro se manifestou sobre as alegações da equipe jurídica de Bolsonaro e ressaltou que discursos em eventos públicos e privados também não foram vetados, mas ponderou que ele deve respeitar os horários estabelecidos nas medidas restritivas.
"A explicitação da medida cautelar imposta no dia 17/7 pela decisão do dia 21/7, deixou claro que não será admitida a utilização de subterfúgios para a manutenção da prática de atividades criminosas, com a instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como 'material pré fabricado' para posterior postagens nas redes sociais de terceiros previamente coordenados", acrescentou.