Alexandre de Moraes poderá ocupar o cargo de ministro do STF até os 75 anosAFP
Em um país extremamente polarizado, alguns acusam Moraes de censura e abuso de poder, enquanto outros elogiam sua incansável defesa da democracia diante dos repetidos ataques de Bolsonaro e seus apoiadores contra as instituições.
Jair Bolsonaro, ex-presidente que depôs ao ministro por acusações de tentativa de golpe contra Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o chama de "ditador".
O governo americano de Trump suspendeu em julho de 2025 o visto de Moraes e aplicou contra ele a lei Magnitsky, um instrumento para sancionar financeiramente pessoas acusadas pela Casa Branca de graves violações dos direitos humanos.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), que se mudou para os Estados Unidos, faz campanha para que Trump interceda por seu pai, Jair Bolsonaro, que Moraes chamou de um "psicopata sem limites".
'Animal político'
O bilionário Elon Musk chegou a comparar Moraes com Voldemort, o vilão (também careca) da saga Harry Potter, acusando-o de minar a liberdade de expressão.
No ano passado, os dois protagonizaram um embate prolongado que culminou na suspensão, por 40 dias, da rede social X — da qual Musk é proprietário — por descumprir uma série de decisões judiciais.
Moraes havia ordenado, entre outras medidas, o bloqueio de contas de figuras influentes dos movimentos de extrema direita brasileiros, acusadas de espalhar desinformação.
"Não é possível que nós permitamos que esse mundo virtual se transforme em uma terra sem lei, em que o racismo, a misoginia, o nazismo possam ser tratados como liberdade de expressão", disse Moraes.
Sua ascensão como "inimigo" dos conservadores não era o destino mais esperado para esse advogado constitucionalista e professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Durante sua passagem como secretário de Segurança do Estado de São Paulo, entre 2015 e 2016, foi criticado pela esquerda, que o acusava de reprimir movimentos sociais.
Chegou ao STF em 2017, nomeado pelo ex-presidente Michel Temer (2016–2018), de quem foi ministro da Justiça.
"Ele é um animal político", afirmou à AFP Antônio Carlos de Freitas, especialista em direito constitucional.
"Navega bem por vários ambientes, incluindo as Forças Armadas", confidenciou uma fonte que trabalhou com ele na Justiça Eleitoral.
Suposto plano de assassinato
Em junho de 2023, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Moraes declarou Bolsonaro inelegível por oito anos por propagar informações falsas sobre o sistema de urnas eletrônicas, vigente há décadas no Brasil.
Ele foi o relator no Supremo do julgamento que fez do ex-presidente réu por liderar um plano fracassado de golpe de Estado para impedir o retorno de Lula ao poder.
Esse plano previa, segundo os investigadores, a prisão e até mesmo o assassinato de Moraes, além de Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin.
"Moraes assumiu para si o papel de juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras", declarou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Econômico em declarações à imprensa, o magistrado prefere se expressar durante as sessões do Supremo Tribunal Federal.
Casado, pai de três filhos e praticante de muay-thai, uma arte marcial, poderá ocupar o cargo até os 75 anos.
Seu nome já foi mencionado várias vezes como possível candidato à presidência do Brasil, mas Moraes nunca abordou o tema publicamente.

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