Defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, pede a absolvição pelos cinco crimes imputados pela PGRValter Campanato/Agência Brasil

São Paulo - Ex-comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier apresentou, por meio de seus advogados, as alegações finais no processo em que é acusado de integrar uma articulação para implementar um golpe de Estado no Brasil entre o fim de 2022 e o início de 2023. O prazo para apresentação das posições das defesas, na última manifestação nos autos, se encerrou anteontem, e a petição da defesa de Garnier foi protocolada às 23h56.
No documento, a defesa de Almir Garnier pede a absolvição pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os argumentos, rechaça a acusação de que ele teria oferecido suas tropas para que Bolsonaro pudesse implementar o golpe de Estado.
Além disso, apontou que haveria contradição entre os depoimentos em juízo de Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e Baptista Júnior, da Aeronáutica, a respeito da reunião em que isso teria acontecido. Segundo os advogados de Garnier, apenas Baptista Júnior afirmou que ele teria colocado as tropas à disposição. Freire Gomes havia reforçado isso também em depoimento à Polícia Federal (PF), mas não ao ser indagado sobre o assunto no STF. A defesa de Almir Garnier sustentou ainda que ele nunca recebeu e cumpriu ordens ilegais no cargo.
Assim como os demais réus do núcleo crucial, Garnier foi acusado de cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. As penas somadas podem chegar a 43 anos de prisão.
Ruptura
A PF e, posteriormente, a PGR apontaram que o almirante foi o único comandante das Forças Armadas a aderir ao golpe, colocando as tropas da Marinha à disposição de Bolsonaro para uma eventual ruptura democrática. Ao longo do processo, no entanto, o militar já vinha negando que tenha feito a proposta ao então presidente da República.