Haddad comentou sobre reformas em andamento e seus efeitos na desigualdadeReprodução / Youtube
Segundo o ministro, o cenário atual é marcado pela atuação de uma oposição que, em sua avaliação, não apresenta projeto de país.
"Hoje a oposição bolsonarista não tem projeto para o país. O projeto deles é o País não andar, o país não evoluir", afirmou o ministro da Fazenda.
Haddad destacou, porém, que não vê o Congresso Nacional como um obstáculo ao governo. "Não estou aqui criticando o Congresso Nacional como instituição. Tenho até agradecido, porque, bem ou mal, as pautas estão avançando", destacou.
Haddad ressaltou ainda o papel do Congresso Nacional na aprovação de medidas importantes, apesar das resistências. "Bem ou mal, as pautas estão avançando no Congresso. Houve aprovação da reforma tributária, que foi a maior já feita no Brasil", destacou.
O ministro alertou ainda para ataques recentes ao Banco do Brasil. "Tem acontecido ataque ao Banco do Brasil por parte de bolsonaristas, defendendo saques. Há projetos de lei no Congresso para perdoar dívidas do agro. Não podemos arredar pé das instituições, com ameaças em curso", afirmou, ao destacar que o ambiente político brasileiro atual é mais tóxico do que em períodos anteriores. "O fair play deu lugar para o vale-tudo e isso compromete muito a saúde da democracia brasileira."
Haddad também comentou sobre reformas em andamento e seus efeitos na desigualdade. "Há temas em que começamos a colocar o dedo na ferida e que se firmarão ao longo dos anos. A reforma da renda é um aperitivo de transformação sobre desigualdade. Reforma tributária e renúncia fiscal também se relacionam com combate à desigualdade", disse.
Além disso, o ministro falou sobre as oportunidades do Brasil na transformação ecológica e no desenvolvimento tecnológico. "Nós temos rigorosamente todas as vantagens competitivas. Temos o melhor vento, o melhor sol, a terceira maior reserva de terras raras e minerais críticos. É óbvio que isso vai exigir parceria, porque não temos toda a tecnologia disponível aqui, mas precisamos transformar isso em valor agregado, em emprego de qualidade, em tecnologia de ponta", afirmou.
Haddad acrescentou que o Brasil precisa avançar na criação de empresas nacionais de tecnologia, principalmente no processamento de dados, já que hoje 60% das informações brasileiras são processadas fora do País. "Imagina do ponto de vista de soberania, com as ameaças em curso, o que isso pode significar? Amanhã uma pessoa com viés autoritário pode querer prejudicar o Brasil", alertou.
Ele também destacou que "o conceito de propriedade produtiva precisa ser corrigido; a produtividade da agricultura subiu enormemente nos últimos anos" e mencionou que o Imposto Territorial Rural (ITR) no Brasil ainda está "muito abaixo do que seria adequado".
Haddad comentou ainda sobre o preço da energia elétrica no país. Segundo ele, "a energia produzida no Brasil, na margem, é uma das mais baratas do mundo. Mas ela não está chegando barata na casa do consumidor".
Ele criticou a forma como o sistema regulatório distribui o custo da energia renovável, exemplificando: "Culpa não é de datacenter, mas custo de energia precisa ficar mais barato. Eu diminuo o custo da energia para mim, mas estou usando uma rede que só outras pessoas estão usando. E o custo disso é distribuído por uma quantidade menor de consumidores. E aí o preço da energia sobe."
O ministro defendeu medidas como a redução da tarifa para consumidores residenciais de baixa renda, semelhantes às políticas já implementadas em impostos.
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