Com uma foto do pai e dos irmãos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (26) que a escolha de um candidato para substituir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente inelegível, não será feita 'pela força nem com base em chantagem. De acordo com o parlamentar, "qualquer decisão política será tomada" pela família.
"Há uma curiosidade no ar: quanto mais próximo do julgamento do meu pai, mais pessoas têm falado sobre substituí-lo na corrida presidencial. E, de maneira descarada, essas mesmas pessoas ainda dizem que é para o bem de Bolsonaro, porque o apoiam", escreveu no X (antigo Twitter) o deputado que está autoexilado nos Estados Unidos.
"Se houver necessidade de substituir JB, isso não será feito pela força nem com base em chantagem. Acho que já deixei claro que não me submeto a chantagens. Qualquer decisão política será tomada por nós. Não adianta vir com o papo de 'única salvação', porque não iremos nos submeter. Não há ganho estratégico em fazer esse anúncio agora, a poucos dias do seu injusto julgamento", acrescentou.
Eduardo se refere à escolha de um candidato da direita para substituir Bolsonaro na disputa pela Presidência nas eleições de 2026, já que o ex-chefe do Executivo segue inelegível até 2030 e será julgado por tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal FederaL (STF) a partir do dia 21 de setembro.
Junto à publicação, o filho 03 do ex-presidente publicou uma foto com seu pai e seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan Bolsonaro (PL-SC).
O recado foi dado um dia após o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve se filiar ao PL caso concorra à Presidência em 2026.
O gestor estadual não confirmou publicamente que concorrerá ao Planalto, mas a movimentação de partidos do Centrão a sua volta cresceu após a decisão judicial que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente.
"O Tarcísio já declarou na semana passada, em jantar com governadores, que se for candidato a presidente no ano que vem, que ele assina com o PL. Ele já havia falado isso para mim. Mas hoje ele é candidato a governador e está em outro partido", disse.
Já no evento de 20 anos do partido Republicanos, na noite da última segunda-feira (25), o presidente nacional, Marcos Pereira, sugeriu que Tarcísio pode ser o nome da sigla para disputar o Palácio do Planalto em 2026.
"Quem sabe se a conjuntura permitir, teremos um candidato a presidente da República. Não é, Tarcísio?", discursou em aceno ao governador, que estava na primeira fila e foi ovacionado pela plateia quando apareceu no telão.
Os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também já anunciaram suas pré-candidaturas ao pleito.
Nas redes sociais, Eduardo questionou o porquê da "pressa" em decidir o nome: "Então, eu me pergunto: para que a pressa? Só há uma resposta lógica: o julgamento é a faca no pescoço de JB, é o 'meio de pressão eficaz' para forçar Bolsonaro a tomar uma decisão da qual não possa mais voltar atrás."
"Quem compactua com essa nojeira pode repetir mil vezes que é pró-Bolsonaro, mas não será percebido como apoiador e muito menos como merecedor dos votos bolsonaristas. São com atitudes - e não com palavras - que mostramos quem somos. Antes de mais nada, caminhar com Bolsonaro significa ter princípios, coerência e valores", emendou.
Ao final da publicação, o deputado classificou a mensagem como um "aviso".
"Para depois não virem com a ladainha de que eu estou desunindo a direita ou sendo radical: na base da chantagem vocês não irão levar nada", finalizou.
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