Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde marçoMandel Ngan/AFP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) encaminhou, nesta quinta-feira (28), um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no qual solicita autorização para exercer seu mandato mesmo estando fora do Brasil. O parlamentar permanece nos Estados Unidos desde março e afirma que sua estada no exterior decorre de supostas "perseguições políticas".

Inicialmente, Eduardo havia pedido uma licença de 120 dias, que terminou em julho. Com o fim do recesso parlamentar, no início de agosto, ele passou a registrar ausências sucessivas nas sessões plenárias.

No documento, o deputado pede que a Câmara adote medidas que permitam o trabalho remoto de parlamentares e que sejam garantidas suas prerrogativas constitucionais. Ele descartou qualquer chance de renunciar ao cargo.

"Não reconheço falta alguma, não renuncio ao meu mandato, não abdico das minhas prerrogativas constitucionais e sigo em pleno exercício das funções que me foram conferidas pelo voto popular", escreveu.
Comparação com a covid-19
O deputado também lembrou do período da pandemia de covid-19, quando foi autorizado o funcionamento remoto do Congresso. Para ele, a situação atual é "mais grave".
"As condições atuais são muito mais graves do que as vividas naquele período: o risco de um parlamentar brasileiro ser alvo de perseguição política hoje é incomparavelmente maior do que o risco de adoecer gravemente durante a pandemia", argumentou.

"Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", completou.
Sem citar o nome de Alexandre de Moraes, ele fez uma referência ao ministro e disse que "deputados federais exercem seus mandatos sob o terror e a chantagem instaurados por um ministro do STF que já é alvo de repúdio internacional", escreveu.

O pedido agora está sob análise da Presidência da Câmara, e ainda não há prazo definido para que Hugo Motta dê uma resposta.