Verissimo foi um dos escritores mais influentes do paísReprodução

Centenas de gaúchos, entre admiradores, amigos e familiares de Luis Fernando Verissimo, marcaram presença no velório do escritor, na tarde deste sábado (30), no salão Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ao fim do funeral, o corpo do autor foi transportado do local em meio a aplausos. O caixão seguiu para sepultamento no cemitério São Miguel e Almas. A cerimônia do enterro foi reservada à família.
Verissimo morreu na madrugada deste sábado, aos 88 anos, na capital gaúcha, após complicações causadas por uma grave de pneumonia. Ele tinha mal de Parkinson e sofria de problemas cardíacos. Convivia, ainda, com as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC), ocorrido em 2021. Um ano depois, recebeu um marca-passo.
Políticos e artistas lamentaram a morte do escritor, um dos mais populares da história do país. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, decretou três dias de luto oficial no estado. Diversas personalidades e políticos renderam homenagens ao autor, que estava totalmente recluso nos últimos anos.

Verissimo deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, e três filhos: Pedro, Fernanda e Mariana Verissimo.

Filho do escritor Érico Verissimo, o autor, conhecido pela timidez e o jeito reservado, publicou mais de 80 títulos, entre eles As Mentiras que os Homens Contam, O Popular: Crônicas ou Coisa Parecida, A Grande Mulher Nua e Ed Mort e Outras Histórias.

Foram as crônicas e os contos que o tornaram um dos escritores contemporâneos mais populares no país. O Analista de Bagé, lançado em 1981, teve a primeira edição esgotada em uma semana.

O escritor construiu uma trajetória profissional rica, com atuação em diferentes áreas e produção em vários formatos. Trabalhou como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor, dramaturgo e romancista. Sua obra é marcada pelo bom humor, assertividade e crítica. Além das palavras, foi um amante da música, dedicado ao saxofone.
Homenagem do governo federal

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que cumpre agenda no Rio Grande do Sul, representou o governo federal na despedida do escritor.

Pela manhã, Padilha anunciou investimentos federais no Centro de Pesquisa, Formação e Ensino do Grupo Hospitalar Conceição, que receberá o nome de Luis Fernando Verissimo, em homenagem ao escritor gaúcho.

"Pessoa que sempre se posicionou a favor da democracia, da soberania brasileira, por um país mais justo. Foi sempre um grande companheiro para nós do governo do presidente Lula, não à toa o presidente fez questão de manifestar isso para a família", afirmou Padilha.

Em postagem nas suas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o autor como "um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo", e afirmou que Verissimo, "como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia".

O atual prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, também esteve presente, mas fez uma rápida passagem no velório e saiu sem falar com a imprensa.

Já o ex-governador e ex-ministro das Cidades, Tarso Genro, marcou presença e afirmou que "Luis Fernando foi um dos grandes intelectuais do nosso tempo no Brasil". Segundo o político, Verissimo "era um escritor dotado de um fino senso de ironia, de um conhecimento enorme da literatura universal e uma paixão enorme pelo país, pelo seu povo, por aquilo que ocorria no cotidiano do povo brasileiro".

Outro ex-governador e ex-ministro que se fez presente foi Olívio Dutra, que comandou o Rio Grande do Sul entre 1999 e 2003. "Um escritor com enorme sensibilidade sobre o cotidiano da vida das pessoas. Ele teve uma relação muito próxima com o povo gaúcho, com a ideia de que o ser humano é um universo em si, e ele foi debulhando esse universo em suas crônicas", declarou o ex-governador.

* Com informações do Estadão conteúdo