Mnistro do STF, Alexandre de MoraesAFP
A ponderação se deu antes mesmo de Moraes começar a ler seu relatório sobre a ação penal do golpe. O ministro ponderou que o País alcançou 40 anos da redemocratização com uma "democracia forte e uma economia em crescimento", mas "isso não significa que foram 37 anos de tranquilidade".
O relator destacou que momentos da história como o julgamento da ação do golpe "ensinam que covardia não é opção para a pacificação". "O caminho da omissão deixa cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia", ponderou.
Segundo Moraes, o julgamento que tem início nesta terça é "desdobramento do exercício da competência penal do STF", conforme previsto na Constituição. Moraes frisou que a tramitação da ação segue o mesmo rito, com o mesmo respeito ao devido processo legal, das 1630 ações penais abertas pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Destacou que, se houver qualquer dúvida razoável sobre a culpa dos réus, eles serão absolvidos.
"Assim se faz a justiça. Esse é o papel do Supremo Tribunal Federal, julgar com imparcialidade e aplicar a justiça a cada um dos casos concretos, independentemente de ameaças ou coações, ignorando pressões internas ou externas", apontou. Moraes destacou ainda que, ao longo da tramitação da ação, "uma verdadeira organização criminosa passou a agir de maneira covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário e submeter o funcionamento da Corte ao crivo de outro Estado" - em referência ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
"Essa coação, essa tentativa de obstrução, elas não afetarão a imparcialidade e a independência dos juízes deste Supremo Tribunal Federal, que darão, como estamos dando hoje, a normal sequência do devido processo legal", ponderou.
O ministro também destacou que a publicidade e a transparência dadas pelo STF aos processos não encontram paralelo no mundo e frisou que a Corte não vai aceitar coações ou obstruções no exercício de sua missão constitucional.
"A soberania nacional não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou extorquida, pois é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. O Supremo Tribunal Federal sempre será absolutamente inflexível na defesa da soberania nacional em seu compromisso com a democracia, os direitos fundamentais, o Estado de Direito, a independência do Poder Judicial Nacional e os princípios constitucionais brasileiros", completou.
"O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, atuando tanto no âmbito material e proteção ao direito de verdade quanto no âmbito formal, ao assegurar qualidade total de condições com estado persecutor e plenitude de defesa", destacou o ministro ao ler a ementa de seu relatório.
Moraes listou e resumiu, passo a passo, a instrução do processo, citando datas de pedidos e decisões, assim como lembrando de oitivas. O ministro destacou que 54 testemunhas foram ouvidas no curso do processo: quatro de acusação e 50 de defesa. Também foi citada a abertura da investigação contra o deputado Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução da ação penal do golpe.
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