Bolsonaristas fazem manifestação em Brasília no Dia da IndependênciaAFP

Políticos e outras lideranças bolsonaristas atacaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As manifestações, em diversos locais do país, defenderam anistia total aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Os atos aconteceram em Brasília, Belo Horizonte, São Luís, no Maranhão e em São Paulo, na Avenida Paulista, neste domingo (7).

Em Brasília, a manifestação ocorreu na área central da capital federal, próximo à Torre de TV, a aproximadamente quatro quilômetros do desfile cívico onde estava Lula e integrantes do governo. Já em São Paulo, o ato ocorreu na Avenida Paulista. 

Durante as manifestações dos bolsonaristas, políticos se revezaram com críticas ao governo e prometeram defender a aprovação de uma anistia no Congresso Nacional e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Os atos em São Luís e Belo Horizonte também pediram anistia para os envolvidos no 8 de Janeiro e criticaram o Judiciário. Em Belo Horizonte, a manifestação ocorreu na Praça da Liberdade, na região central da capital mineira. Já em São Luís, o protesto teve como ponto de partida a Avenida Daniel de La Touche, no bairro Cohama.
Brasília 

Na capital do país, em um caminhão de som, foram colocadas faixas com a frase "Volta, Bolsonaro", enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar.

"A anistia não é uma opção, é uma imposição", disse a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

"Quero deixar um recado bem claro para Alexandre de Moraes e para Lula: os dias de vocês estão se acabando, vocês não vão permanecer sendo os corruptos imundos e ditadores que vocês são", discursou o deputado Zé Trovão (PL-SC).
O motorista de aplicativo e sósia do ex-presidente Bolsonaro, conhecido como "mito Uber" também estava na manifestação e afirmou que "a maioria do povo de Brasília é patriota".
As pessoas também foram orientadas a não acenar para o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que sobrevoava o local. "Não deem tchauzinho. Eles podem usar essa imagem contra nós", afirmou a organizadora.
Além de Kicis e Trovão, estavam presentes também o deputado Alberto Fraga (PL-DF) e os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Jaime Bagatolli (PL-RO).
Bolsonaristas entoam cânticos evangélicos na Avenida Paulista 
Pouco antes do início do ato pela anistia na Avenida Paulista, os bolsonaristas entoam cânticos evangélicos e gritam "Bolsonaro Free". Com cartazes com dizeres "SOS TRUMP/BOLSONARO FREE" e "Eleição sem Bolsonaro é ditadura", os manifestantes pedem anistia irrestrita e impeachment do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes, ao som de "baile de favela". Durante o evento, os manifestantes estenderam uma bandeira gigante dos Estados Unidos.

Com o lema "Reaja Brasil: o medo acabou", o ato deste domingo na Avenida Paulista ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos demais réus do núcleo crucial por tentativa de golpe. A previsão é que o Supremo Tribunal Federal (STF) encerre a análise do caso na sexta-feira, 12.
Valdemar Costa Neto diz que partido não tem plano B
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o partido não tem plano B, mas que insistirá na candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência. "Não temos plano B. Nosso plano é Bolsonaro candidato a presidente", disse Valdemar.

O presidente do PL defendeu o projeto para anistiar os condenados pelo 8 de Janeiro e disse que conta com o apoio de União Brasil, PP e PSD. "Vamos aprovar a anistia. O PP, o União Brasil, PSD estão junto com PL. Temos maioria para aprovar a anistia", falou.

Valdemar declarou ainda que o 8 de Janeiro foi uma "baderna generalizada", mas que não pode ser interpretada como golpe de Estado: "Não houve golpe. O que houve em Brasília foi uma baderna generalizada que eles querem transformar em golpe. Somos a favor de punir todos que quebraram, mas acontece que, se fosse golpe, quem ia governar o País?"
Tarcísio diz que Bolsonaro é o único candidato
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à Presidência em 2026. Tarcísio é um dos cotados para captar o apoio do bolsonarismo no ano que vem. "É fundamental que tenhamos Jair Messias Bolsonaro na eleição do ano que vem. Só existe um candidato para nós, que é Jair Messias Bolsonaro", declarou o governador.

Tarcísio afirmou que a ausência de Bolsonaro fez com que a "festa" não fosse completa. O governador também criticou o julgamento de Bolsonaro, marcado para ser concluído nesta semana Segundo ele, o julgamento de Bolsonaro é baseado em apenas um elemento, a delação do ex-ajudante de ordem de Bolsonaro, Mauro Cid, que, para Tarcísio, é "mentirosa", porque Cid teria mudado a versão "seis, sete vezes, sob coação".

"Vários analistas foram à TV comentar e disseram: 'Não existe ligação entre o Punhal Verde e Amarelo, o 8 de Janeiro, e Jair Bolsonaro'. Não existe um documento, não existe uma ordem. Do que estamos falando, então? Que história é essa? Como vão condenar uma pessoa sem nenhuma prova", falou o governador.
Tarcísio também defendeu a aprovação da anistia "ampla e irrestrita". Ele afirmou ainda que não irá aceitar a "ditadura de um poder sobre o outro" e que "um ditador paute o que devemos fazer", em uma crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF). "E se a gente está aqui hoje defendendo uma anistia, é porque a gente sabe que esse processo está maculado", disse.

A manifestação bolsonarista pediu a anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e teve críticas ao Supremo Tribunal Federal. O ato conta com a participação de nomes como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, além de políticos aliados ao ex-presidente.
Michelle diz que "humilhação faz parte do processo"
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro discursou às lagrimas durante o protesto. Ela criticou o que chamou de "ditadura" do Poder Judiciário.
"Estou tendo que me desdobrar como mãe, como esposa, como presidente do PL [Mulher], mas, acima de tudo, como amiga, para poder cuidar dele", disse Michelle. "Eu sei que nossa nação vai ser livre dessa ditadura judicial", declarou.
Michelle Bolsonaro foi a última a discursar no ato na Avenida Paulista. Ela chorou ao falar da situação do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar. Antes da manifestação, sua assessoria havia informado que ela só participaria do evento caso a saúde de Bolsonaro "estivesse bem" em suas "condições de saúde".
"Quem era para estar aqui era meu marido, que hoje está amordaçado dentro de casa. Com uma tornozeleira, não foi julgado e está preso. Com policiais olhando os muros dos vizinhos para saber se ele pode pular", afirmou. Michelle enviou um áudio para as manifestações de outras cidades.
No final do discurso, a ex-primeira-dama reproduziu um áudio de seu marido. Segundo ela, o material foi retirado da internet.
"Deixar bem claro que peguei (o áudio) na internet, até para não ter problema para o meu marido. Peguei na internet", ressaltou.
Na gravação, é possível ouvir Bolsonaro dizendo "Deus, pátria, família e liberdade", lema popularizado pelo ex-presidente e por seus apoiadores.
* Com informações do Estadão Conteúdo