Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen LúciaAntonio Augusto/STF

O início do voto da ministra Cármen Lúcia, nesta quinta-feira (11), foi marcado por ironias direcionadas ao ministro Luiz Fux, que na véspera causou controvérsia ao absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro e encerrar a sessão sem permitir comentários dos colegas.
Logo no começo, ao ser interpelada pelo ministro Flávio Dino, Cármen Lúcia afirmou que concederia “tooodooos” os apartes que ele desejasse, frisando ser “uma pessoa da prosa”. A declaração foi interpretada como uma crítica à postura de Fux, que havia negado qualquer interrupção durante sua fala.

A ministra também destacou que seu voto tem quase 400 páginas, mas adiantou que não faria a leitura integral: “Vou apresentar apenas um resumo”, disse, em nova alfinetada ao colega, que exauriu a Corte com uma longa e repetitiva explanação no dia anterior.

Na sequência, ao tratar das preliminares do processo, Cármen Lúcia reforçou que não via problema em manter sua forma habitual de votar. A observação foi entendida como mais uma resposta indireta à Fux, que havia sustentado que o Supremo Tribunal Federal não teria competência para julgar a tentativa de golpe atribuída a Bolsonaro — tese considerada contraditória diante do histórico da Corte, que já condenou centenas de militares e civis de menor escalão pelos mesmos fatos.