O deputado federal Pedro Campos também se arrependeu por ter votado a favor da PEC da BlindagemReprodução / Redes Sociais

Após a repercussão negativa da aprovação da PEC da Blindagem, alguns deputados manifestaram arrependimento com a escolha e até pediram "desculpas" aos eleitores nas redes sociais: "Vergonha é insistir no erro", disse Thiago de Joaldo (PP-SE).

O deputado federal Pedro Campos (PSB), irmão mais novo do prefeito de Recife, João Campos (PSB), justificou que seu voto favorável teve o objetivo de impedir o avanço da anistia e trazer á tona outras pautas importantes que tinha no documento.

De acordo com ele, teriam dois caminhos: "discutir nenhum texto dessa PEC e arriscar que a anistia passasse e, além disso, que isso boicotasse pautas importantes do governo, como a tarifa social da energia e o imposto de renda", ou "discutir o texto da PEC e tentar tirar os maiores absurdos que ali estavam contidos e buscar um caminho para barrar a anistia e fazer avançar as pautas populares", explicou em vídeo publicado nas suas redes.

A deputada Sylvie Alves (União Brasil), de Goiás, afirmou que chegou a votar contra o projeto inicialmente, mas que foi coagida a mudar sua posição por "pessoas influentes".

"Eu sabia que a extrema direita, a direita e o centro votariam a favor. Mas segui a minha intuição e votei contra, às 19h. A partir desse momento, comecei a receber muitas ligações de pessoas influentes do Congresso Nacional, se é que vocês me entendem. Ligaram dizendo que eu sofreria retaliações", contou a deputada.

Ela completou dizendo que: "fui covarde, cedi à pressão, e por volta de quase 23h mudei meu voto. Sou uma mulher super forte, mas eu não tive, naquele momento, força para fazer o correto. Eu cometi um erro gravíssimo. Quero pedir perdão a vocês."
O deputado Merlong Solano (PT), do Piauí, seguiu a linha de resposta de Pedro Campos, afirmando que o objetivo era "impedir a anistia", mas admitiu que seu voto foi um "equívoco".

"Não pensem que foi uma decisão fácil. Na política, por vezes somos levados a fazer escolhas difíceis, que exigem renúncias e sacrifícios. Meu voto foi motivado pela tentativa de preservar o diálogo entre o PT e a presidência da Câmara dos Deputados", escreveu.


O parlamentar Thiago de Joaldo (PP-SE) também publicou um vídeo admitindo o erro e afirmando que mudou de posição após ter recebido análises sobre o projeto.

"É preciso reconhecer que a Câmara errou na mão e o remédio pode ter saído mais letal do que a enfermidade que queria se tratar. Nunca busquei proteger criminosos nem dar salvo-conduto para prática de qualquer outro crime. A partir daí, comecei a receber comentários de especialistas, me atentar à imprensa, sobretudo ouvir os comentários. Reconheço que falhei, peço desculpas e trabalharei para corrigir, assumindo o dever de me somar a outros colegas que também escutaram as vozes das ruas para derrubar a PEC no Senado e questionar possíveis vícios de tramitação", disse.

PEC da Blindagem

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (16), em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição que ganhou o nome de PEC da Blindagem por dificultar a responsabilização de parlamentares. O texto exige autorização prévia do Congresso para que o Supremo Tribunal Federal (STF) processe criminalmente deputados e senadores.

O texto-base, que dependia de 308 votos para avançar, entre 513 deputados, foi aprovado por 353 parlamentares, em votação de primeiro turno. Outros 134 deputados votaram contra o projeto, e houve uma abstenção.

No segundo turno, por volta das 23h30, cerca de duas horas depois da primeira votação, a PEC passou com o voto favorável de 344 deputados. Houve 133 votos contrários. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou sua bancada para votar como quiser e no PT 12 deputados apoiaram a PEC.
A Constituição diz que parlamentares só podem ser presos em caso de crime inafiançável. São crimes inafiançáveis no Brasil racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes, terrorismo, crimes hediondos (homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro, estupro, estupro de vulnerável, feminicídio e epidemia com resultado morte), e a ação de grupos armados contra a ordem constitucional. A matéria segue para o Senado.
*Com informações do Estadão Conteúdo