Bebidas adulteradas com metanol representam riscos à saúdeÉrica Martin/Agência O Dia
Especialista no assunto, o analista químico do CFQ Siddhartha Giese, em entrevista à Agência Brasil, destacou esses riscos e deu algumas dicas sobre como identificar situações perigosas e o que fazer diante da suspeita de adulteração das bebidas.
O especialista também falou sobre os processos de fiscalização deste elemento químico tão presente no dia a dia das pessoas.
Segundo o integrante do conselho, a melhor maneira de o cidadão contribuir de forma ativa na fiscalização contra o uso irregular de metanol é por meio de canais oficiais de denúncia e atitudes preventivas.
Siddhartha Giese explica que as denúncias podem ser feitas de forma anônima por diferentes meios. Um deles é o site do Procon, que criou canais específicos para registrar casos de bebidas suspeitas.
Uma outra forma de fazer a denúncia é por meio das vigilâncias sanitárias, tanto estadual como municipal. É também possível apresentar denúncias a autoridades policiais, como a Polícia Civil, que atua em operações de apreensão e interdição de estabelecimentos; bem como aos Conselhos Regionais de Química (CRQs).
Perigo
Em casos de suspeita de intoxicação, o analista do CFQ sugere que se entre imediatamente em contato com o Disque-Intoxicação, serviço oferecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltado a oferecer assistência e informações de primeiros socorros nesses casos, até que o paciente chegue ao local de atendimento médico de emergência. O número do Disque-Intoxicação é 0800-722-6001.
Prevenção
“Suspeite de preços muito abaixo do mercado, embalagens com lacres tortos, rótulos desalinhados, erros ortográficos ou ausência de informações obrigatórias como CNPJ, endereço do fabricante ou número do lote”, disse o químico.
Fiscalização
“A fiscalização da comercialização do metanol no Brasil é rigorosa e envolve tanto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) quanto a Polícia Federal, pois o metanol é classificado como substância controlada”, explica o especialista do CNQ.
Cadastro Prévio
“A ANP é responsável por regular e monitorar a cadeia de suprimento do metanol, que no Brasil é quase totalmente importado. Apenas empresas autorizadas podem importar e comercializar o produto, mediante licença específica e anuência para cada carga”, acrescentou.
Além disso, essas empresas devem informar periodicamente à ANP a quantidade adquirida, o destino e a finalidade do metanol, garantindo que ele seja utilizado apenas em processos industriais legítimos, como a produção de biodiesel, formaldeído e outros derivados químicos.
PF e conselhos
Ele acrescenta que o CFQ e seus conselhos regionais também desempenham “papel essencial” na fiscalização das atividades que envolvem processos químicos, incluindo a indústria de bebidas alcoólicas.
Empresas que realizam atividades que demandem conhecimentos de química devem, segundo o próprio conselho, contar com um responsável técnico (RT) devidamente habilitado e registrado.
“Esse profissional responde técnica e legalmente pela execução das operações, garantindo que sejam cumpridas as normas técnicas, sanitárias e ambientais, além das boas práticas de fabricação. No caso de bebidas, isso assegura a qualidade do produto, do processo, bem como da conformidade com regulamentos”, complementou.
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).
Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica.
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