Filmes, séries e livros que abordam problemáticas atuais podem enriquecer o repertório para as provasReprodução
Aliar o entretenimento à rotina puxada de estudos ajuda o candidato a manter o foco enquanto aumenta o repertório sociocultural e encontra outras maneiras de compreender o que foi ensinado em sala de aula.
Filmes e séries na preparação para a prova de Ciências Humanas
Para Roberta Luz, doutoranda em Didática da História pela Universidade de Barcelona, o audiovisual oferece muitas vantagens pedagógicas que vão além do entretenimento. Educadora e pesquisadora com 15 anos de experiência em sala de aula, ela destaca que é possível construir uma consciência crítica maior por meio do hábito de assistir filmes.
“O historiador francês Marc Ferro traz uma ideia de que o uso do cinema na sala de aula é uma estratégia que pode servir para proporcionar aos alunos uma outra forma de narrativa; uma narrativa que permite a gente abordar o passado de um jeito mais reflexivo, mais acessível, com várias outras dimensões que esse estudante muitas vezes não conseguiria perceber se só estivesse participando de uma aula expositiva”, complementa a docente.
Roberta também ressalta que quanto mais experiências emocionais o vestibulando tem com o conteúdo, mais eles ficam fixados na mente. Ou seja, o aluno tem muito mais chances de lembrar uma matéria específica se ainda tiver um contato visual com o que foi aprendido, além da aula e da explicação.
No entanto, a professora frisa que é importante ter um cuidado na hora de escolher a série ou filme a ser visto. Ela diz que sempre lembra aos estudantes de que existe alguém por trás da obra cinematográfica. A época em que a produção foi feita e a finalidade para qual ela foi criada também influenciam no resultado final do filme ou série.
“Aí que entra o papel do historiador de saber escolher e indicar bem para os alunos os filmes que vão trabalhar, mais fatos ou que serão mais úteis para que esses estudantes consigam chegar a um entendimento melhor”, explica.
Uma das exigências da redação do Enem é a utilização de repertórios socioculturais ao longo do texto. Estes são conhecimentos e referências adquiridos pelo aluno por meio de livros, frases, matérias, autores, pesquisas, filmes e séries. É pedido que o candidato use esse mecanismo para enriquecer a argumentação. Porém, é preciso que o estudante domine o repertório a ser usado para conseguir uma nota máxima nessa parte da prova.
Rafaela Quintella, coordenadora do Ensino Médio e professora de redação do colégio Pensi, relata que produções audiovisuais são excelentes ferramentas porque oferecem uma conexão direta com a realidade. Segundo ela, essas obras abordam questões sociais, políticas e culturais e trazem uma análise crítica, o que é essencial para uma boa escrita.
Além disso, a docente destaca que a escolha dos filmes e séries citados tem que ser minuciosa. “Em primeiro lugar, é importante verificar a relevância do tema abordado na obra, garantindo que ele de fato se relacione diretamente com assunto da redação. Não vale citar só por citar, escrever algo memorizado. É preciso fazer com que esse repertório fique produtivo quando relacionado ao assunto trabalhado”, complementa.
- Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
- Que Horas Ela Volta? (2015)
- Doze Anos de Escravidão (2013)
- Cidade de Deus (2002)
- Adeus, Lenin! (2003)
- Ponte dos Espiões (2015)
- A Onda (2008)
- Central do Brasil (1998)
- Corra! (2017)
- Pecadores (2025)
- O Encouraçado Potemkim (1925)
- O Grande Ditador (1940)
- Ensaio sobre a Cegueira (2008)
- Relatos Selvagens (2014)
- Spotlight: Segredos Revelados (2015)
- Laranja Mecânica (1971)
- O Pianista (2002)
- Hotel Ruanda (2004)
- Selma: Uma Luta pela Igualdade (2014)
A estudante conta que já utilizou obras cinematográficas como repertório sociocultural nas redações que fez ao longo do ano como preparação para o Enem. Uma delas foi o longa metragem “Extraordinário”, que mostra a luta de um menino com deficiência que tenta se inserir na sociedade. O tema proposto no exercício era a inclusão de pessoas com deficiência, e a vestibulanda conseguiu fazer essa relação para enriquecer a argumentação usada no texto.


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