Promotores recomendam agência nacional anti-máfia para frear atentados Divulgação
Em entrevista coletiva, as autoridades defenderam ainda o endurecimento da legislação contra o crime organizado, apoiando a proposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a importância de uma lei que torne mais célere o processo de expropriação de bens de criminosos e a urgência de uma estrutura mais robusta e eficaz de proteção a autoridades, policiais e, principalmente, testemunhas
Gakiya afirmou ainda que o PCC é de fato a primeira máfia brasileira, pois operações nos últimos anos demonstraram suas tentativas de infiltração no poder político, em negócios lícitos e também nas estruturas financeiras, em um "patamar insustentável".
"Eles usam estratégias de controle de território e de intimidação de autoridades", explicou Gakiya, como formas de dissuasão.
"A maneira de se começar a sair disso é endurecer a legislação e dizer claramente à sociedade que temos condições de ser mais organizados que o crime", disse Oliveira e Costa, para quem os poderes precisam se unir urgentemente, superando questões de ordem político-ideológica em prol da proteção de vidas.
A coletiva mostrou a posição do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após a divulgação da Operação Recon, esforço da instituição e das polícias estaduais para prender faccionados que estavam juntando informações sobre Gakiya, e o coordenador de presídios da região oeste de São Paulo, Roberto Medina, responsável pelas unidades de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, onde está parte da cúpula da facção. Gakiya é hoje um dos principais promotores públicos que atuam na investigação e combate ao PCC.
Operação
"Na ação, foram apreendidos mais de 4,3 quilos de drogas, quatro veículos, um simulacro de arma de fogo, 30 munições calibre .380, bem como R$ 7,6 mil em espécie. Equipamentos eletrônicos e anotações também foram recolhidos para contribuir com as investigações", afirmaram em nota.
Segundo o MP-SP os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, "num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização". Gakiya afirmou, inclusive, que sua casa foi sobrevoada por drones há três semanas.
De acordo com o Ministério Público, a célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama. A sofisticação do grupo incluía a divisão entre informantes e executores, os últimos fazendo parte de um grupo de elite chamado de sintonia restrita, responsável pelos atentados contra autoridades e policias e por resgates.
Membros desse grupo já atuaram no assassinato de agentes penitenciários do Paraná e estavam envolvidos nos planos de ataque contra o senador Sergio Moro. Segundo Gakiya há suspeitas de que o grupo tenha atuado no assassinato do ex-delegado geral de polícia Ruy Ferraz, em 15 de setembro. A polícia já prendeu oito suspeitos de envolvimento neste caso, o último na terça-feira (21).
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