Agentes federais cumprem 11 mandados de busca e apreensão em Roraima e no Mato GrossoReprodução
PF mira servidores da Agricultura por propinas na exportação de alimentos para a Venezuela
Justiça decretou o bloqueio e sequestro de valores até o montante de R$ 1,8 milhão
São Paulo - A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quarta-feira, 29, a Operação Imperium Messis, para desarticular suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários do setor de exportação de alimentos, na fronteira do Brasil com a Venezuela
As investigações, iniciadas a partir de uma denúncia anônima, identificaram indícios de irregularidades nas atividades da Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Roraima, relacionadas à fiscalização de mercadorias destinadas à exportação para a Venezuela.
A reportagem pediu manifestação do Ministério da Agricultura. O espaço segue aberto.
Segundo a Controladoria, essa atividade, originalmente realizada nas instalações da Receita Federal na cidade de Paracaima, passaram a ser executadas, a partir de 2020, nas dependências de uma empresa privada localizada em Boa Vista. O local funcionava como "entreposto aduaneiro".
A PF e a Controladoria identificaram "diversos indícios de que agentes públicos estariam recebendo recursos da empresa beneficiada pelo esquema criminoso, por meio de intermediários (pessoas físicas e jurídicas)".
Os envolvidos no esquema são investigados pela prática de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nesta quarta, um grupo de 43 agentes federais e quatro auditores da CGU executa 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Boa Vista e Cantá, em Roraima, e em Cuiabá, Mato Grosso.
A Justiça decretou o bloqueio e sequestro de valores até o montante de R$ 1,8 milhão.
A Controladoria destaca que "o combate a esse tipo de fraude é essencial para restaurar a integridade e a eficiência na prestação de serviços públicos".
"O esquema criminoso não apenas feria o princípio da impessoalidade administrativa, mas também minava a confiança da sociedade nas instituições", diz a Controladoria.
Ainda segundo a CGU, ao favorecer empresas mediante suborno, "os agentes públicos prejudicavam a livre concorrência, potencialmente elevando os custos e reduzindo a qualidade dos serviços ofertados ao cidadão".
"A desarticulação do grupo visa garantir um ambiente de negócios justo e assegurar que a administração pública atue em prol do interesse coletivo, e não de interesses privados."
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