Enem 2025: Inep adota modelo testlets na elaboração das provasJose Cruz/Agência Brasil
O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em coletiva de imprensa na sede do instituto, em Brasília, após a aplicação do primeiro dia de provas do exame, no último domingo (9).
Na prova, a nova metodologia agrupa questões variadas relacionadas a um mesmo texto-base.
O objetivo da mudança é avaliar melhor os conhecimentos do participante adquiridos ao longo da formação escolar, justifica o Inep.
Expansão do uso
"O Inep não divulga previamente informações sobre prova por questões de segurança e sigilo", respondeu em nota à Agência Brasil.
No entanto, a diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Hilda Linhares, afirmou que o plano é expandir o uso do modelo testlets.
“Espera-se que, a partir desta edição, esse modelo seja adotado não apenas para a área de linguagens, na qual ele foi aplicado em 2025, mas também para outras áreas de conhecimento.”
Entenda o uso
Apesar de um mesmo texto-base vincular, em bloco, diversas questões a ele, não existe dependência entre as respostas, ou seja, não apresenta elementos que possam ser considerados para a resposta de outra questão.
De acordo com o Inep, a iniciativa permite:
· redução do tamanho da prova;
· evitar o desperdício de esforço na leitura de vários excertos de texto.
· Permitir a leitura e a análise de textos mais próximos à integridade da fonte primária;
· abordagem de contextos com maior complexidade;
· avaliação de tarefas cognitivas mais complexas.
Veja os PDFs dos cadernos de questões do primeiro dia de provas do Enem 2025 aqui, com a aplicação do novo formato testlets.
Avaliação da metodologia
Apesar de não imaginar a mudança expressiva na construção das questões da prova, a diretora vê a metodologia como “um avanço no modelo avaliativo e que não há desvantagens claras.”
“Quando se tinha um texto-base por questão, era necessário escolher texto menores, impedindo avaliar compreensões mais profundas. Este novo formato permite textos mais densos, o que eleva o nível da prova.”
Porém, ela acredita que a adoção de um texto base não irá impactar no tamanho e no tempo de prova. “Os textos se tornarão mais densos”, prevê.
Este modelo que usa um mesmo texto-base para uma sequência de perguntas não é novidade no Brasil. Os processos seletivos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Estadual do Ceará (Uece), vestibular da Fuvest [Fundação Universitária para o Vestibular], que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP), além do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) já apresentavam esse formato.
“No entanto, esses processos não exploram todo o potencial dos testlets. Tenho uma aposta de que o Inep esteja apontando em uma nova tendência para edições futuras do exame, assim como o Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] já vem utilizando”, projeta a diretora Camila Karino.
Teoria de Resposta ao Item
Para cálculo das notas, há anos, o Inep adota este modelo matemático que considera a coerência das respostas corretas do participante e identifica a consistência da resposta, conforme o grau de dificuldade de cada questão.
“A Teoria de Resposta ao Item (TRI) é a metodologia de análise utilizada para estimar a proficiência dos estudantes. Ela não define o formato.”
Entenda como é calculada a nota das provas objetivas do Enem 2025 pela Teoria de Resposta ao Item, que considera coerência de respostas corretas.
O Enem
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