Pesquisa revela que os jovens estão mais otimistas com o próximo anoFacebook/Reprodução

O otimismo volta a ganhar força entre os brasileiros na virada do ano. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro, 83% da população acredita que 2026 será um ano melhor do que 2025, o equivalente a cerca de 135 milhões de pessoas. Em 2024, 79% dos brasileiros avaliavam que 2025 seria melhor. A percepção positiva é mais forte entre os mais jovens de 18 a 29 anos, dos quais 93% acreditam que 2026 será melhor, índice que cai para 73% entre os mais velhos, com 50 anos ou mais.

O levantamento aponta diferenças conforme o posicionamento político na avaliação dos aspectos do País. Entre os brasileiros que se dizem de esquerda, a expectativa de melhora em 2026 é majoritária em todos os aspectos avaliados, chegando a 70% na economia, 69% na avaliação do governo federal, 56% na saúde pública e 52% no governo de seu estado, 51% na educação e no governo de sua cidade e 46% na segurança pública.
Já entre os que se dizem de direita, os percentuais são mais baixos e refletem maior cautela, com 25% acreditando na melhora da economia, 23% na atuação do governo federal, 26% na saúde e 35% no governo de seu estado, 24% na educação, 33% no governo de sua cidade e 26% na segurança pública. O contraste reforça como a leitura política do cenário nacional influencia diretamente a forma como os brasileiros projetam o futuro do País.

“A forma como as pessoas enxergam o futuro do país passa também pelo alinhamento político. Esse alinhamento impacta diretamente o otimismo com o rumo da economia, dos serviços públicos e da capacidade do Estado de responder às demandas da sociedade. Esse recorte ajuda a entender que essas expectativas não são moldadas de forma fria e racional, mas imersas em subjetividade”, avalia Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

O levantamento também revela que 56% dos brasileiros pretendem fazer alguma promessa ou resolução para 2026. Entre esses, 63% citam saúde e mudança de hábitos como principal tema das promessas. Em seguida aparecem a compra de um bem ou desejo de consumo (50%), mais tempo com a família (44%) e estudos ou cursos (42%). Outros objetivos mencionados incluem iniciar relacionamentos amorosos (29%), abrir um negócio próprio (24%) e mudar ou conseguir um emprego (23%). Os entrevistados puderam indicar mais de uma promessa, o que revela expectativas múltiplas e complementares para o próximo ano.

Esse movimento se traduz também em intenções práticas. Para 2026, 90% dos brasileiros dizem que pretendem guardar dinheiro ou fazer poupança (90% entre classes A e B, e 85% entre as classes D e E), evidenciando que a preocupação com organização financeira atravessa todos o País.

Também aparecem com destaque fazer algo para melhorar a aparência física (79%), começar um curso (52%), mudar ou iniciar um novo emprego (38%), abrir um negócio (33%), mudar de casa (34%), casar ou iniciar um relacionamento (24%) e ter um filho (10%). Quando o foco é saúde, 89% afirmam que querem melhorar a alimentação e 86% pretendem praticar mais atividade física do que atualmente, principalmente entre os mais jovens.

Expectativas para a vida pessoal 
O otimismo é ainda mais forte quando o foco é a vida pessoal. Para 81% dos brasileiros, de forma geral, a vida vai melhorar em 2026, frente a 78% em 2025. As mulheres aparecem como as mais otimistas — 85% —, ante 77% dos homens. Entre gerações, o índice chega a 88% na Geração Z, enquanto cai para 73% entre os baby boomers.

Quando analisados aspectos específicos da vida, 80% acreditam que a vida financeira irá melhorar, 78% apostam em melhora na saúde, 75% na vida familiar, 74% na aparência física, 73% na vida profissional e 66% na vida amorosa. Em praticamente todos os indicadores, jovens e mulheres apresentam níveis mais elevados de otimismo.

Já a visão sobre o País é mais cautelosa. Para 41% dos brasileiros, o Brasil, de forma geral, vai melhorar em 2026, mesmo percentual registrado no ano anterior. Outros 26% avaliam que a situação ficará igual, enquanto 33% acreditam que o País irá piorar.

“Esse contraste revela um país que aposta nos avanços possíveis do cotidiano, mas mantém um olhar mais exigente e realista sobre o futuro coletivo”, afirma Meirelles.

Protagonistas da própria mudança

Ao projetar quem pode contribuir para que a vida melhore em 2026, 52% dos brasileiros afirmam que eles próprios são os principais agentes dessa transformação. Em seguida aparecem Deus ou a igreja (22%), a família (11%), governo federal (4%), empresa de trabalha (3%), governo estadual (1%) e governo municipal (1%).

“Além de acreditar na melhoria, muitos se veem como principais agentes dessa transformação, investindo em ações como cuidar melhor da alimentação, praticar mais atividades físicas e poupar dinheiro. Isso demonstra uma busca ativa pela melhoria de sua qualidade de vida, revelando um Brasil que, mesmo diante de desafios, se coloca como protagonista de sua própria mudança", afirma Meirelles.

Avaliação de 2025

Ao olhar para o ano que se encerra, a pesquisa mostra que 49% dos brasileiros afirmam que 2025 foi melhor do que esperavam, o equivalente a cerca de 80 milhões de pessoas. Outros 17% dizem que o ano foi exatamente como imaginavam, enquanto 33% avaliam que 2025 foi pior do que o esperado. Em 2024, 56% afirmaram que o ano havia sido melhor do que imaginavam, indicando uma queda na percepção positiva. Entre os mais jovens, 60% consideram que 2025 foi melhor do que o esperado. O percentual cai para 43% entre os mais velhos.

As principais realizações de 2025 também estão fortemente ligadas ao bem-estar: 72% dos brasileiros afirmam que melhoraram a alimentação, 63% praticaram mais atividade física e 62% fizeram algo para melhorar a aparência ou se sentir melhor consigo mesmos. Além disso, 55% guardaram dinheiro ou fizeram poupança, 32% começaram um curso, 23% mudaram ou começaram um novo emprego, 21% mudaram de casa, 13% se casaram ou iniciaram um relacionamento, 12% abriram um negócio e 9% tiveram um filho.