Robinho, Brennand, Ronnie Lessa, hacker Delgatti e Fernando Sastre estavam presos em TremembéReprodução
Presos envolvidos em crimes de grande repercussão são transferidos de Tremembé
Robinho, Thiago Brennand, Ronnie Lessa, Fernando Sastre e Walter Delgatti Neto deixaram a unidade como parte do plano de mudança do perfil da penitenciária, que deixará de abrigar presos em regime fechado
O governo de São Paulo iniciou um processo de esvaziamento do regime fechado na Penitenciária 2 de Tremembé, com o objetivo de mudar o perfil da unidade e afastá-la do estigma de “presídio dos famosos”. A estratégia inclui a transferência acelerada de detentos envolvidos em crimes de grande repercussão para outras penitenciárias do estado, especialmente a de Potim. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL.
Entre novembro e dezembro do fim de 2025, ao menos cinco presos conhecidos deixaram a unidade: Robinho, Thiago Brennand, Ronnie Lessa, Fernando Sastre e Walter Delgatti Neto. Todos cumpriam pena em regime fechado na P2 Dr. José Augusto Salgado.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) planeja que Tremembé passe a receber apenas detentos em regime semiaberto. A ideia é transferir gradualmente todos os presos do regime fechado, embora o órgão ainda não tenha divulgado detalhes do cronograma. Segundo apuração, as movimentações estão sendo conduzidas de forma acelerada para outras unidades do estado.
De acordo com integrantes da cúpula da SAP, Tremembé não teria estrutura adequada para receber presos de alta periculosidade. Por isso, o destino prioritário tem sido a penitenciária de Potim, descrita por funcionários como uma unidade com arquitetura mais rígida e intimidante. Os muros são mais altos, os pátios de convivência menores e os pavilhões mais compactos. As celas abrigam, em média, de oito a 12 detentos. A capacidade da unidade é de 1.063 pessoas, mas atualmente abriga cerca de 500 presos.
Nos bastidores, a aceleração das transferências também é atribuída à repercussão negativa de uma série de ficção, que leva o mesmo nome da penitenciária, lançada no fim de outubro do ano passado pela Amazon Prime. A produção, que retrata o cotidiano de detentos envolvidos em crimes de grande repercussão detidos na unidade, teve grande audiência e teria provocado incômodo entre presos antigos, gerando sentimentos de raiva e receio.
A obra expôs irregularidades, como corrupção e disputas internas por poder ao longo das últimas décadas. O líder do sindicato dos policiais penais do estado, Fábio Jabá, classificou a série como “jocosa”, mas reconheceu que houve desvios de conduta no local.
Ao longo dos anos, mais de uma dezena de presos famosos passaram por Tremembé, entre eles Suzane von Richthofen, Elise Matsunaga, os irmãos Cravinhos, Alexandre Nardoni e Roger Abdelmassih — este último é o único que ainda permanece na unidade. A série está disponível no Prime Video e já tem uma segunda temporada prevista, embora sem data de estreia definida.

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