Desfile do Grupo Especial Carnaval 2026 - Desfile da G.R.E.S Acadêmicos de Niterói, na Avenida Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio de Janeiro, neste domingo (15).Carlos Elias/Agência O Dia

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou para a Marquês de Sapucaí uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (15), provocou forte repercussão no meio político e acirrou o embate entre aliados do governo e representantes da oposição.

Enquanto integrantes do PT e parlamentares da base governista defenderam o enredo como uma manifestação cultural legítima, políticos contrários ao presidente classificaram o desfile como propaganda eleitoral antecipada e uso político de um evento financiado com recursos públicos. 
Aliados de Lula afirmaram que o desfile retratou a trajetória pessoal e política do presidente como parte da história recente do país, sem caráter de campanha. Em publicações nas redes sociais, parlamentares petistas destacaram que o Carnaval sempre foi um espaço de crítica social e política.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que a homenagem feita pela Acadêmicos de Niterói a Lula "emocionou a avenida ao contar uma história de luta, superação e esperança que nasceu em Garanhuns e ganhou o país inteiro".
"Mais do que um desfile, foi um momento de celebração da nossa cultura, da democracia e da força de um povo que segue acreditando em dias melhores, mostrando que a esperança sempre encontra um jeito de brilhar", publicou no X (antigo Twitter).

O senador e ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE) também elogiou o desfile. Disse que a escola "narra a história desse nordestino (Lula) que dedicou a vida ao povo".

"Quem passou fome, hoje alimenta a alma do Carnaval. A Acadêmicos de Niterói narra a história desse nordestino que dedicou a vida ao povo. É emoção que não acaba mais!", afirmou ele nas redes sociais.
"A avenida pulsou diferente. A Acadêmicos de Niterói transformou o Sambódromo da Marquês de Sapucaí em um grande manifesto cultural, com um desfile potente, emocionante e cheio de significado", completou.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também publicou uma mensagem de apoio ao presidente da República. Disse que foi "lindo" acompanhar junto de Lula o desfile.
"Lindo ver de perto na Sapucaí, com o presidente Lula, o desfile da Acadêmicos de Niterói. A mensagem é clara: 2026 exige força para reeleger Lula no primeiro turno e eleger um Congresso mais popular, com a cara do povo!", declarou.
A deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), vice-líder do governo na Câmara, também parabenizou a Acadêmicos de Niterói pelo desfile. Disse ter sido "emocionante".

"Emocionante! É impossível não se arrepiar com o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói cantando 'Tem filho de pobre virando doutor, comida na mesa do trabalhador… A fome tem pressa' e essa ala linda simbolizando a revolução que Lula fez na educação superior no Brasil", afirmou ela no X.
Do outro lado, políticos de direita e do campo conservador reagiram duramente. O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que, se a homenagem fosse a um político da oposição, "o TSE já estaria abrindo processo por propaganda irregular".
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo irônico nas redes sociais e disse que o desfile representou "uma tentativa clara de promover a imagem do presidente em pleno ano eleitoral". Ele também afirmou que Lula usa dinheiro público "para fazer campanha antecipada para ele mesmo".
"Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada para ele mesmo Sim, o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro, que deveria ser devolvido à sociedade em forma de serviços públicos de qualidade, está sendo torrado num desfile de carnaval na cara de todos os brasileiros", declarou no X o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Flávio disse ser "um crime o que está acontecendo hoje no carnaval do Rio". Reclamou do fato de seu pai ter sido condenado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uma reunião com embaixadores.

Não mencionou, porém, o motivo da condenação: o então presidente reuniu os representantes de outros países para fazer ataques sem provas ao sistema eleitoral.

"Jair Bolsonaro foi tornado inelegível, na mão grande, por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público. Isso não ficará impune! Vamos resgatar o nosso Brasil das mãos sujas do PT e devolver ao povo brasileiro!", declarou o parlamentar.
"Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA! Vamos vencer o mal com o BEM!", afirmou.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também criticou o desfile. Disse que "quando a cultura se mistura com a política, perde a cultura".
"Vale também para o desfile dessa escola de samba. No caso, ainda pior, concorrendo para um grave ilícito eleitoral. Propaganda antecipada com dinheiro do pagador de impostos. Rebaixamento é o mínimo que merece", afirmou no X.
"E o problema era o Bolsonaro se encontrar com embaixadores. A interferência nas eleições, agora a de 2026, já começou. Vista grossa para um excesso noutro", completou.

O senador e ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil-PR) também comentou sobre a homenagem da Acadêmicos de Niterói. Fez alusões à operação Lava Jato para ironizar o presidente Lula e disse que o desfile "foi um deprimente espetáculo de abuso do poder".
"Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo governo. A Coréia do Norte não faria melhor", publicou no X.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma comparação velada entre o desfile e a reunião com embaixadores que levou ao julgamento de inelegibilidade de Bolsonaro no TSE. "Se esse desfile fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inelegibilidade vitalícia", disse.
Antes do desfile, pedidos para barrar a apresentação foram negados pela Justiça, sob o argumento de que a proibição poderia configurar censura artística. Mesmo assim, a oposição estuda acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar possível propaganda antecipada.
*Com informações do Estadão Conteúdo