(Da esq. para dir.) Pai, irmã, filha, mãe e companheira de Marielle FrancoValter Campanato/Agência Brasil
Mais cedo, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Brazão a 76 anos e três meses de prisão por terem atuado como mandantes do crime. Mais três acusados também foram apenados.
A ministra e os demais familiares da vereadora e do motorista acompanharam o julgamento presencialmente. Anielle relembrou que os familiares foram alvo de deboche ao cobrarem a punição dos envolvidos no crime.
“Isso [condenação] é também um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela da sociedade, que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, sendo apenas mais uma, ou como falavam, mimimi sobre Marielle Franco", afirmou.
Marinete Silva, mãe de Marielle, disse que o julgamento é histórico e que a família sai do julgamento com o "coração acalentado" com a condenação dos envolvidos.
“É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida", declarou.
O pai de Marielle, Antonio Francisco, teve um pico de pressão durante o julgamento e passou mal. Após ser atendido por uma equipe médica, ele conversou com a imprensa e disse que “foram quase oito anos de angústia” até a condenação dos envolvidos.
A vereadora Monica Benicio, viúva de Marielle, repetiu a avaliação de Anielle de que a decisão do STF enviou um recado às milícias e a outros grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro de que a Justiça brasileira não deixará casos como esse saírem impunes.
"Que o caso da Marielle possa servir como um recado àqueles que, na certeza da impunidade, como vários Brazões que existem ainda no Rio de Janeiro e no Brasil, assim como Ronnies Lessa e Queiroz, que esse tipo de violência não será mais aceito. O STF hoje quebra um ciclo de punitivismo seletivo, que para uns é que jamais iria chegar, enquanto para outros a condenação pela cor, pelo gênero, é sempre o caminho", afirmou.
"Ainda há esperança, ainda há quem faça o bem. O mal não vai sobreviver. Hoje foi prova disso", disse.
Fernanda Chaves, assessora de Marielle e que sobreviveu ao atentado, disse que o STF tomou uma decisão histórica no combate à violência de gênero na política.
"O Estado brasileiro passa o recado de que crimes como esse, o feminicídio político não é tolerável. O Brasil responde ao mundo uma pergunta que a gente passou se fazendo por oito anos, quase uma década. É muito tempo”, completou.
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