Teleatendimento gratuito em saúde mental será para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostasJoédson Alves/ Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento gratuito em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, especialmente as modalidades on-line. A expectativa inicial de atender 600 pacientes por mês. O acesso será feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta terça-feira (3).
O serviço é voltado a maiores de 18 anos e também aberto a familiares e rede de apoio. A inicitiva é promovida em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O investimento previsto é de R$ 2,5 milhões, de acordo com o Ministério da Saúde.
"Estamos introduzindo o teleatendimento, porque percebemos que, dificilmente, a pessoa com problemas relacionados a jogos de apostas procura um serviço de saúde presencialmente. Muitas vezes, há dificuldade de admitir o problema, vergonha e ainda muita estigmatização. Por isso, estamos criando instrumentos para que famílias e amigos possam apoiar quem enfrenta essa situação, permitindo contato direto com o Ministério da Saúde sem a necessidade de ir até uma unidade", destacou Padilha.

Segundo a pasta, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas em 2025. 
A avaliação é de que a "procura espontânea por atendimento presencial ainda é baixa, muitas vezes por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade de reconhecer o problema". A aposta no serviço de teleatendimento busca ampliar o acesso ao cuidado de "forma mais reservada".
Como acessar
Para utilizar o novo serviço, é preciso baixar o aplicativo, que está disponível de forma gratuita nas lojas Android, IOS ou na versão web, fazer login com a conta gov.br e, na página inicial, clicar em "Miniapps". Em seguida, selecionar a opção "Problemas com jogos de apostas?". 
A pessoa terá acesso a um autoteste com perguntas que ajudam a identificar sinais de risco e orientar o próximo passo. Se o resultado indicar risco moderado ou elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. 
Nos casos de menor risco, o aplicativo orienta a procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui desde Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) a Unidades Básicas de Saúde (UBS).
As consultas são realizadas por vídeo, duram em média 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados de cuidado, que podem incluir até 13 consultas por paciente – seja em grupo com sua rede de apoio ou individualmente. O atendimento é gratuito e confidencial.

A equipe é multiprofissional, formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com apoio de médico psiquiatra quando necessário, além de articulação com assistência social e medicina de família para integração com os serviços locais.

Após o cadastro pelo formulário direcionado pelo Meu SUS Digital, as orientações para a consulta são enviadas pelo WhatsApp. O modelo inclui telemonitoramento e integração com a rede do SUS e, sempre que necessário, os pacientes serão conduzidos ao atendimento presencial.