Canetas de semaglutida vão complementar o tratamento de pacientesX (antigo Twitter)/Reprodução
A proposta é oferecer uma opção farmacológica para complementar o tratamento de pacientes já atendidos nesses centros, considerados referências na abordagem multidisciplinar da obesidade. Não há previsão de abertura de vagas para novos pacientes.
O programa vai começar ainda no primeiro semestre de 2026, com duração inicial de dois anos e possibilidade de extensão por mais um ano. Durante esse período, a farmacêutica irá apoiar a implementação do programa e a capacitação técnica das equipes, além de monitorar e avaliar os impactos na saúde, sociais e econômicos, informa a empresa.
Cada hospital terá autonomia para definir o perfil dos pacientes elegíveis, mas a prioridade será para indivíduos com obesidade associada a outras condições de saúde, principalmente diabetes e doenças cardiovasculares.
No Brasil, os últimos dados do Vigitel indicam que cerca de 25% da população apresenta obesidade. Em âmbito nacional, não existe uma diretriz geral do Ministério da Saúde para aplicação de medicamentos no tratamento da obesidade, já que esses remédios não são incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A Novo Nordisk chegou a apresentar propostas de incorporação da liraglutida e da semaglutida no SUS nacionalmente, mas elas foram negadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
A empresa afirmou que, no momento, não tem outra proposta submetida ao órgão federal, mas "está sempre estudando" essa possibilidade.
Queda de patente
A iniciativa da Novo Nordisk nos hospitais públicos faz parte de um programa global de acesso aos novos medicamentos antiobesidade e seu anúncio acontece no mês em que a patente da semaglutida expira no Brasil.
Pelos menos 20 farmacêuticas brasileiras já solicitaram à Anvisa a permissão para produzir a caneta com o princípio ativo. A queda de patente costuma reduzir o preço de remédios em cerca de 30%. Isso poderia facilitar uma futura incorporação dos medicamentos para obesidade no SUS.
O Brasil é o segundo país a receber esse projeto-piloto, depois da Dinamarca, onde fica a sede da Novo Nordisk. O intuito é gerar dados de vida real sobre o acesso à inovação nos sistemas públicos de saúde.
O objetivo é avaliar desfechos mensuráveis em saúde, impacto social e sustentabilidade fiscal, para subsidiar futuras decisões de política pública, afirma. A ideia também engloba "gerar evidências de como a prevenção e o cuidado integral às pessoas com obesidade, incluindo a terapia medicamentosa com semaglutida, pode melhorar a vida dos pacientes e reduzir custos de longo prazo do sistema de saúde nos três níveis da administração pública: municipal, estadual e federal".
A farmacêutica afirma que escolheu o GHC e o Iede para participarem do projeto-piloto pois são hospitais públicos que já contam com uma estrutura de acompanhamento multidisciplinar adequada para o tratamento da obesidade.
"Existe uma demanda dos gestores públicos em todas as esferas, municipal, estadual e federal, de que isso seja um programa estabelecido, mas a questão vai muito além de ter um processo licitatório de compra de medicamento. (O hospital precisa ter) infraestrutura para tratar a obesidade para os pacientes elegíveis no programa e capacidade de implementar uma linha de cuidado para o paciente (para além da oferta do medicamento)", afirma Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk.
"Tem a questão toda da orientação nutricional e da atividade física, para que a gente tenha a eficácia esperada nesse contexto de tratamento", completa Priscilla Mattar, vice-presidente médica da empresa.
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