Ricardo Nunes chamou o banqueiro Daniel Vorcaro de "desgraçado"Reprodução/redes sociais
'Tomara que morra lá', diz prefeito de São Paulo ao comentar prisão de Vorcaro
Ricardo Nunes também defendeu punição para autoridades envolvidas no escândalo do Banco Master
São Paulo - O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), elogiou a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Durante discurso na inauguração do Parque do Aricanduva, em São Paulo, nesta sexta-feira, 6, Nunes chamou o banqueiro de "desgraçado" e afirmou que espera que ele "morra lá (na cadeia) até apodrecer".
Nunes complementou desejando que as autoridades envolvidas no escândalo também fossem punidas:
"Ainda bem que o desgraçado está preso. Imagina aquele que vivia em jatinho, fazendo festa de milhões, numa cela de 9 metros. Tomara que morra lá até apodrecer. Que sejam punidos cada ministro, deputado e senador envolvidos", disse o prefeito.
Vorcaro foi preso nesta quarta-feira, 4. Após a nova etapa das investigações, foram reveladas mensagens no celular do banqueiro que sugerem a proximidade do empresário com autoridades e membros da política brasileira.
As mensagens revelaram contatos de Vorcaro com figuras como com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Anteriormente já havia sido revelada a existência de um contrato de R$ 129 milhões do Master com a mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, que previa que o escritório da família trabalhasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional.
Moraes não foi o único ministro com citações no caso. Dias Toffoli chegou a admitir que é sócio da empresa Maridt, dirigida por seus dois irmãos e que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. Toffoli era o relator do caso do Master no STF, mas renunciou após a PF revelar menções a ele no celular de Vorcaro
A empresa de Toffoli vendeu sua fatia em um negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Zettel foi o financiador das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nas mensagens de celular, Vorcaro também relatou à namorada que esteve em Brasília em agosto de 2025 para encontrar o "governador" do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio às negociações para o Banco de Brasília (BRB) comprar o Master.
Após a operação da PF, os investigadores descobriram que Vorcaro tinha à sua disposição uma espécie de milícia privada que coletava informações sensíveis, espionava ilegalmente e ameaçava adversários, autoridades e jornalistas. Esse é o caso revelado pelas mensagens do celular do banqueiro contendo um plano para que o jornalista Lauro Jardim fosse agredido em um assalto forjado.
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro e seus ajudantes chegaram a acessar sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
Um de seus ajudantes, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", também foi detido na operação da PF, e tentou suicídio na prisão nesta quarta-feira. O advogado dele contestou informações de fontes da Polícia Federal de Minas Gerais de que ele tinha morrido e afirmou que não foi aberto protocolo de morte cerebral para o cliente. Apesar disso, a defesa classificou o estado de saúde de Mourão como grave. A PF informou que será aberto procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias da tentativa de suicídio.
O "Sicário" era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro.
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