A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou reação de parlamentares de direita nesta quarta-feira (11). Deputadas como Clarissa Tércio (PP-PE) e Chris Tonietto (PL-RJ) criticaram o resultado e disseram não se sentir representadas pela escolha.
Clarissa Tércio afirmou, em publicação nas redes sociais, que “não tem o que comemorar” com o resultado e declarou que a comissão deveria ser presidida por uma “mulher de verdade”. Já Chris Tonietto disse que não se sente representada pela decisão e criticou o que chamou de uso político do colegiado.
Apesar das críticas de parlamentares conservadores, a eleição também foi comemorada por deputadas da base progressista. Entre as que parabenizaram Erika Hilton pela escolha para comandar a comissão estão Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Erika Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP), que destacaram a importância da representatividade no comando do colegiado.
Erika Hilton foi eleita com 11 votos e se tornou a primeira mulher trans a presidir o colegiado. A deputada está em seu primeiro mandato na Câmara e, em 2022, foi a primeira mulher negra trans eleita para a Casa.
Após a eleição, Hilton afirmou que pretende acelerar projetos voltados à proteção de mulheres e meninas e disse que a comissão também deve discutir a disseminação de discursos conhecidos como “Red Pill” nas redes sociais, além de temas como violência digital, inteligência artificial e deepnudes.
Pronunciamento nas redes
Após a repercussão da eleição, Erika Hilton também se manifestou nas redes sociais na noite desta quarta-feira (11) e celebrou a vitória no comando da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em uma publicação, a deputada afirmou que a conquista representa um passo de reparação histórica e destacou que diferentes fatores, como raça, classe social e origem, ainda influenciam no acesso a direitos e na forma como mulheres são tratadas na sociedade.
No texto, Hilton disse que assume a presidência com “honra, alegria e um sabor muito especial de vitória”, ressaltando que o resultado foi alcançado mesmo diante da oposição de setores do centrão e da extrema direita. A parlamentar também criticou ataques e afirmou que não se preocupa com críticas de pessoas que classificou como transfóbicas.
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