Aumento do preço médio do diesel é a principal razão para possível greve dos caminhoneirosValter Campanato/Agência Brasil
"O primeiro desejo do governo é que eles não façam greve", declarou Randolfe a jornalistas.
Randolfe disse que o governo está disposto a discutir mecanismos de compensação financeira aos Estados caso haja redução do ICMS, mas afirmou que falta adesão de parte dos governadores. O senador citou que o ICMS representa cerca de 35% do preço final do combustível.
"O governo se dispõe a debater sobre isso, criar algum mecanismo de compensação, caso seja necessário", afirmou. Segundo ele, alguns Estados já deram sinais positivos, mas não há, até agora, uma sinalização ampla.
Sobre a possibilidade de uma reunião entre Planalto e governadores, Randolfe afirmou que o governo "cogita todas as possibilidades", mas disse não haver data definida. O parlamentar disse também não ter informações sobre reuniões formais entre caminhoneiros e governo, mas disse que o Executivo está "monitorando" e "dialogando com todos".
O senador ainda negou preocupação com impactos de uma eventual greve sobre as eleições de outubro. "Não estou pensando na eleição, estou pensando nas pessoas que com o colapso do abastecimento vão ficar em filas, vão ficar sem abastecimento, vão ficar sem comida", declarou.
O petista disse que tem visto a movimentação dos caminhoneiros na direção de uma greve e afirmou que o governo federal já fez a sua parte para amenizar o aumento dos preços. Além disso, o parlamentar culpou a gestão de Jair Bolsonaro (PL) por privatizações de refinarias e ressaltou que o governo atual rompeu com a paridade de preços internacionais, o que considera uma "sorte" para o momento que o País enfrenta.
"Os caminhoneiros devem reivindicar de quem o controle dos preços de combustíveis? O governo federal do presidente Lula fez sua parte: eliminou PIS e Cofins, aumentou a taxa de exportação para o produto ficar internamente e colocou mais 32 centavos de subsídio. Então, o que o governo tinha condição, fez", declarou Uczai.
O líder continuou: "No que nós queremos nos somar com os caminhoneiros? Cobrar que os governadores dos Estados reduzam o ICMS e que todo mundo ajude a fiscalizar, inclusive os caminhoneiros, onde é que está tendo abuso de aumento do combustível".
Uczai disse não descartar que a mobilização dos caminhoneiros tenha tendência bolsonarista. O deputado afirmou que há "oportunistas" contra o governo e disse que os caminhoneiros têm um "papel fundamental" no País.
"Neste momento, não há risco de falta de combustível no Brasil. Portanto, é especulação. Os caminhoneiros, se fizerem greve mirando no governo federal? Quem é o mais aliado dos caminhoneiros neste momento é o governo federal, diferente dos governadores, principalmente dos grandes Estados, que não querem reduzir o ICMS", afirmou.
Uczai disse ainda: "Se tem caminhoneiros preocupados com o processo eleitoral, os caminhoneiros é que vão perder. Os caminhoneiros têm que ajudar a pensar a solução, buscar a solução diante da guerra".

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