Nordeste é a região com maior adesão à Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos OrigináriosObapo/ Divulgação
As duas primeiras edições da competição, realizadas no ano passado, mobilizaram mais de 33 mil alunos de todo o país. O volume triplicou em 2026, passando de 100 mil.
De acordo com as regras do edital, tanto escolas como estudantes em participação individual, acompanhados de um responsável com 21 anos ou mais, podem se inscrever pelo site da Obapo. Caso se opte pela modalidade "Escola", a quantidade de alunos é ilimitada. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também são aceitos, fazendo provas de acordo com a série que cursam.
A dois dias do encerramento do prazo, os valores de inscrição, necessários para a quitação de gastos administrativos e pedagógicos que viabilizam o projeto, são de R$ 440 para escolas da rede pública e R$ 880 para as privadas. A taxa cobrada de estudantes com participação individual é de R$ 65.
Já dos mais velhos ou de séries mais avançadas é esperada uma assimilação sobre o perfil étnico-racial da população brasileira, a transmissão de saberes pela oralidade, segregação étnico-racial, racismo ambiental, preconceito linguístico, darwinismo social, a repressão contra grupos minorizados e conceitos como colonialidade, descolonização e decolonialidade.
O conteúdo é sempre abordado conforme as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
As provas em todas as escolas seguirão o mesmo cronograma, devendo ser aplicadas no período de 13 a 29 de maio, pela internet, exclusivamente, com supervisão de funcionário da escola.
A organização da Obapo permitirá aplicação presencial, com versão impressa, apenas em casos especiais. Para que abra exceção, a escola deverá consultá-la.
Segundo a coordenadora pedagógica da Obapo, a mestre em geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Érica Rodrigues, 70% das inscrições são provenientes de escolas públicas, sendo a proporção de municipais e estaduais bastante equilibrada. Institutos federais têm se revelado outra parcela importante.
O sucesso da olimpíada garante hoje, inclusive, parcerias com secretarias municipais de educação. Uma delas é a de Oeiras, no Piauí. Nas edições anteriores, todas as escolas da cidade participaram da Obapo, salientou Rodrigues.
"É, para a gente, uma honra muito grande estar nesses territórios, abordar esses temas e perceber que esses alunos reconhecem dentro da Obapo sua própria identidade, enquanto parte da identidade e do presente do Brasil", diz.
Lançada em novembro de 2024, a publicação trata de uma educação no ensino fundamental de cunho integral e alinhada à atitude antirracista.
Além de ser uma tentativa de despertar o interesse pelos temas, o projeto acaba sendo uma forma de ir mais fundo nas questões e permite que se enfrente coletivamente as desigualdades constatadas na educação, campo que acaba definindo os rumos da vida de qualquer pessoa.
Como destaca o Instituto Alana, em material sobre a Lei 11.645/2008, ao reproduzir a frase de Eduardo Galeano, "até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador".
Mapeamento do Todos Pela Educação evidencia o elevado grau de dificuldades que estudantes racializados precisam contornar para ter acesso à educação básica.
Indígenas, por exemplo, conseguiram ocupar mais a escola de 2014 para 2024, mas dispõem de estruturas precarizadas quando as instituições ficam dentro de seus territórios. Uma porção ínfima, de cerca de 2%, tem rede de esgoto e 12,9% conta com coleta de lixo. Pouco mais da metade possui banheiros (62,5%) e energia elétrica (57,8%). Dados que provam que o caminho para a escola não é o mesmo para todos.
Mais informações, incluindo a indicação de livros e outros materiais, estão disponíveis no site da Obapo.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.