Leo Prates quer impedir a aplicação do entendimento de redução proporcional de 10% a todas as escalasDivulgação/Câmara dos Deputados

O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1, afirmou nesta quarta-feira, 20, que pretende adotar parâmetros mensais para o cálculo das 40 horas semanais e duas folgas na semana.

O parlamentar pretende apresentar o relatório da PEC na comissão especial que debate o mérito (conteúdo) do texto na próxima segunda-feira, 25. Ele mesmo deve pedir vista (mais tempo para análise). Com isso, a proposta seria apreciada pelo colegiado na quinta-feira, 28. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que poderia levar o texto ao plenário no mesmo dia.

Prates afirma que pretende manter praticamente a mesma redação do texto constitucional. No dispositivo que trata da duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e 44 semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho, a alteração seria apenas trocar o 44 horas semanais por 40 horas semanais.

Já no que trata do repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, haveria a inclusão de mais um dia de descanso.

"Eu quero manter os mesmos parâmetros, as mesmas entradas", disse. "Eu não vou transformar nem modificar o sistema, porque senão causaria um dano muito grande no setor produtivo."

Como funcionaria

Prates afirmou que decidiu prever que o trabalho com dois dias de folga e 40 horas semanais será calculado mediante média mensal.

A medida busca responder a uma preocupação do governo com o impacto da redução na jornada sobre categorias que adotam escala de trabalho diferenciada, como é o caso de 12x36 (quando o profissional trabalha 12 seguidas e folga nas próximas 36).

Esse profissional trabalharia, em determinada semana, 42 horas semanais, enquanto, em outra, trabalharia menos de 40 horas.

Prates também diz que o texto deverá fortalecer a convenção coletiva. "Essa é uma demanda do governo, do setor empresarial e do setor de empregados. Então eu acho que há um consenso dessa necessidade de fortalecer a convenção".

O relator também disse que deixará explícito que não tratará na PEC de jornadas iguais ou inferiores a 36 horas semanais. "Porque não é justo que uma jornada de 30 horas com cinco horas de trabalho diário a pessoa querer trabalhar 25 horas num país que está tratando de uma redução de tempo de jornada de 44 horas para 40 horas", disse.

Ele disse que a intenção é impedir a aplicação do entendimento de redução proporcional de 10% que há na Justiça do Trabalho.

Outras questões, segundo ele, seriam remetidas a um projeto de lei, que abrangeria, por exemplo, as 14 regras que tratam de categorias específicas.

"Eu vou dar um exemplo muito claro. Um voo daqui para Dubai dura 14 horas. Eu não posso pegar um comissário de bordo e atirar do avião porque acabou a jornada máxima", disse.

Prates afirmou que a PEC deve ter de oito a dez artigos. "Então, é uma PEC muito enxuta, com texto muito simples. E aí depois, como a gente diz no popular, a gente vai estabelecer o regramento em lei específica e em convenção coletiva", explicou.

"Eu estou deixando isso bem claro para não haver decepção. O que é que eu considero fundamental? O que é o principal? 40 horas, dois dias de folga, sem redução salarial e o fortalecimento da convenção coletiva. Os textos disso estão definidos, estão prontos", afirmou.
Transição de 10 anos
Sete líderes partidários da Câmara dos Deputados assinaram uma nota conjunta em que solicitam ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) a retirada da tramitação de uma emenda que prevê um regime de transição de 10 anos para que entre em vigor a redução da jornada de trabalho, proposta que está sob análise em uma comissão especial, sob a relatoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

A emenda é de autoria do deputado Sérgio Turra (PP-RS). A nota é assinada pelos líderes Adolfo Viana (PSDB-Cidadania), Antonio Brito (PSD-BA), Augusto Coutinho (Republicanos-PE), Dr. Luizinho (PP-RJ), Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) e Rodrigo Gambale (Podemos-SP).

"Diante de dúvidas sobre os reais efeitos da emenda nº 1 à PEC do fim da escala 6x1, que flexibiliza a jornada de trabalho de acordo com a diversidade setorial e regional do País, os líderes abaixo assinados apresentaram requerimento para solicitar ao presidente Hugo Motta a retirada de tramitação da emenda, a fim de evitar distorções que comprometam a clareza do debate e a compreensão da proposta", diz a nota.

A comissão especial faria a leitura do parecer de Prates sobre a PEC nesta quarta-feira, 20, mas o ato foi adiado para a próxima segunda-feira, 25, por falta de acordo. Um dos pontos sem entendimento diz respeito justamente sobre o tempo de transição. A Câmara ainda discute com o governo um regime de transição entre dois e cinco anos.