Para Nunes Marques, no entanto, há "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntasFellipe Sampaio/SCO/STF
Em comunicado, a AtlasIntel afirmou que o áudio da conversa foi exibido após o fim do questionário principal da pesquisa. Segundo o instituto, os entrevistados já haviam respondido às perguntas eleitorais e não podiam mais alterar as respostas quando foram direcionados a uma página separada para ouvir o material.
Para Nunes Marques, no entanto, há "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntas. Na decisão, o ministro citou entrevista do CEO do instituto de pesquisa, Andrei Roman, em 19 de maio, à CNN Brasil, na qual ele afirma que o áudio seria "muito problemático para a imagem" de Flávio e revelaria "fatos extremamente graves", capazes de comprometer "a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida".
'Juízo valorativo'
"O CEO da AtlasIntel (...) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação", disse Nunes Marques, que foi indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro.
Recém-empossado na presidência do TSE, Nunes Marques destacou, ainda, que, "embora os institutos de pesquisa disponham de autonomia técnica para definição da metodologia empregada nos levantamentos, tal prerrogativa não afasta o controle jurisdicional em hipóteses nas quais haja indícios de desvirtuamento da pesquisa".
O levantamento mostrou que Flávio havia caído seis pontos desde abril - ele registrou 41,8%, ante 48,9% de Lula em eventual segundo turno. Os advogados do PL apontaram como problemáticas as perguntas da AtlasIntel que associavam o senador ao caso Master.
Uma questão da pesquisa perguntava qual grupo político estaria "mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master", com respostas limitadas a "aliados de Lula", "aliados de Bolsonaro", "Centrão", "todos" ou "não sei". O questionário também indagava se o eleitor havia tomado conhecimento do áudio e das mensagens de Flávio. Em seguida, questionava se, após conhecer o teor das conversas, o entrevistado estaria "mais ou menos disposto" a votar no senador.
Termos negativos
Segundo a ação, expressões como "esquema de fraudes financeiras", "escândalo" e "evidências de envolvimento direto" teriam influenciado as respostas. A pesquisa, na visão do partido, criou um ambiente desfavorável ao senador por apresentar conteúdos negativos antes das perguntas eleitorais.
Página Separada
Neste domingo, Andrei Roman afirmou no X, sem citar diretamente a decisão, que "muitos tentaram atacar a reputação da AtlasIntel quando os resultados não convinham". "A realidade é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu."
Críticas
O presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), João Francisco Meira, classificou como "ato de censura" a decisão de Nunes Marques. "Trata-se de um ato de censura à pesquisa baseado em um argumento fraco", declarou ele ao Estadão. "Não há previsão constitucional para suspender a publicação de uma pesquisa. Isso fere a liberdade de divulgação de pesquisas", acrescentou ele, que é cofundador da Vox Populi.
Para Oswaldo Amaral, professor do Departamento de Ciência Política da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Opinião Pública da universidade, "a decisão é tecnicamente frágil e se configura como um ato de censura". Isso pode ser muito perigoso, especialmente na reta final das eleições, pode se tornar um expediente utilizado para cercear a liberdade de expressão e a divulgação de informações que são relevantes para o eleitor."
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